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Após dois meses, policiais civis do DF mantêm greve

Decisão ocorreu em assembleia da categoria após reunião com GDF. Governo estuda atender reivindicações, mas nega aumento salarial. 

Do G1 DF

O Sindicato dos Policiais Civis do Distrito Federal (Sinpol) aprovou nesta quarta-feira (24) a manutenção da greve da categoria até sexta (26), quando eles se reúnem em nova assembleia. A paralisação teve início em 23 de agosto e completa nesta quarta 62 dias.

Agentes da Polícia Civil do DF aprovaram manutenção de greve da categoria até sexta-feira (26) (Foto: Felipe Néri / G1)Agentes da Polícia Civil do DF aprovaram manutenção de greve da
categoria até sexta-feira (26) (Foto: Felipe Néri / G1)

Os policiais pedem 28% de reajuste salarial, além de reestruturação da carreira, plano de saúde subsidiado e a transformação ou renomeação do cargo de agente penitenciário para que sejam incluídos no quadro da Polícia Civil, órgão de origem da categoria.

Antes da assembleia desta quarta, representantes do sindicato se reuniram com o secretário de Administração Pública do DF, Wilmar Lacerda. De acordo com o presidente do Sinpol, Ciro José de Freitas, o secretário propôs um aumento salarial gradual de 15,8% entre 2013 e 2015.

 A assessoria de imprensa da pasta informou que o secretário não vai se pronunciar sobre o assunto. O porta-voz do governador, Hugo Braga, negou a proposta. A assessoria de imprensa do Ministério do Planejamento também negou proposta de reajuste para a categoria.

Nesta quinta-feira (25), o sindicato se reúne para discutir a suposta proposta apresentada pelo governo. A categoria só vai deliberar sobre o tema na sexta. "Como a proposta só chegou para a categoria hoje, não tivemos tempo de discutir. Achamos prematuro decidir sobre o fim da greve hoje", declarou o presidente do Sinpol. "A categoria quer garantias, já que o governo deixou de cumprir acordo em duas oportunidades."
Na última quarta-feira (17), quando o Sinpol havia decidido pela continuidade da greve, a  Secretaria de Administração Pública informou que não havia previsão de aumento para a categoria, mas que o GDF estuda a mudança no plano de saúde a partir de janeiro de 2013.

Na ocasião, a secretaria também informou que está prevista a contratação de 3.029 servidores para a Polícia Civil no próximo ano. A assessoria da pasta informou, ainda, que o secretário Wilmar Lacerda redigiu minuta de proposta que inclui agentes penitenciários dentro da Polícia Civil, uma das reivindicações da categoria.

Bandeira líbia Durante a assembleia desta quarta-feira, o agente da Policia Civil Domingos Santos segurou a a bandeira da Líbia quando falava em microfone. O agente afirmou, em cima de carro de som, que é neto de líbio. "Na Líbia, a sociedade viveu uma ditadura por mais de trinta anos, mas não aguentou e lutou", disse em entrevista ao G1.
"Estamos vivendo uma ditadura disfarçada no Brasil", declarou Santos. "Esta bandeira é contra os governos tiranos, contra o Mensalão."

Agente da Polícia Civil segura bandeira da Líbia ao falar em microfone durante assembleia (Foto: Felipe Néri/ G1)
Agente da Polícia Civil segura bandeira da Líbia ao falar
em microfone durante assembleia (Foto: Felipe Néri/ G1)

Justiça Em setembro, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Carlos Ayres Britto, arquivou o pedido de suspensão da atual greve dos policiais feito pela Procuradoria-Geral do DF. O órgão pedia o retorno imediato de todos os policiais civis ao trabalho. Ainda cabe recurso à decisão.

A Procuradoria pretendia cassar a liminar do Tribunal de Justiça do DF que determinou o retorno de 80% do efetivo ao trabalho e que não considerou a greve ilegal. O Sinpol diz que, apesar da greve, a categoria está mantendo em trabalho o efetivo determinado pela Justiça. Segundo a Procuradoria, a decisão do TJ desrespeita o entendimento do Supremo em relação à causa.