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Bairros-parque de Cingapura inspiram projeto Brasília 2060

Espaços combinam moradia, trabalho e lazer com o objetivo de integrar as pessoas e racionalizar os recursos naturais

Brasília, 1º de outubro de 2012 – O governador Agnelo Queiroz visitou na tarde da segunda-feira o One North Park, conjunto de bairros-parque projetados pela Jurong Consultants em Cingapura, semelhante ao que será feito para o Distrito Federal no projeto Brasília 2060 – um plano estrutural de desenvolvimento criado para colocar a cidade entre as cinco melhores do mundo para se viver num prazo de 50 anos.

Em Cingapura, os bairros planejados evoluem a passos rápidos. Um dos quatro centros que formam o One North Park, a Biopolis (Cidade da Biologia) começou a ser erguida há apenas quatro anos. O bairro se espalha atualmente por 180 mil metros quadrados, com sete grandes prédios totalmente ocupados por empresas de pesquisa na área de biotecnologia. A segunda fase do projeto prevê a construção de mais dois edifícios, assim como na terceira fase. Ambas, porém, serão tocadas pela iniciativa privada, já que o governo deu o primeiro, maior e mais custoso passo.

"O que vemos aqui é um conceito eficiente de planejamento. O lugar é pensado para oferecer moradia, lazer, trabalho e aprendizado, tudo no mesmo espaço, com ambição explícita de integrar as pessoas e racionalizar o uso dos recursos", comentou o governador.

Na Biopolis, assim como nos demais bairros do One North Park, todos os prédios contêm áreas de lazer, como cafés, bares e academias. São obrigatoriamente ligados uns aos outros, seja por uma passagem aérea no quinto pavimento, seja por dois níveis de subsolo. Há salas de reunião espalhadas pelo complexo, e qualquer pessoa que trabalhe por lá pode fazer uso delas, bastando apenas fazer uma reserva.

"A intenção é que o espaço seja compartilhado por todos que o utilizam, porque acreditamos que ideias inovadoras surgem do encontro das pessoas em seus momentos de lazer e descanso", explicou a presidenta da Jurong Consultants, Whey Ying Mao.

Projeto inteligente - Cingapura é um país de clima quente e úmido. Para arrefecer os efeitos do calor sobre a população, os prédios da Biopolis foram construídos mais próximos uns dos outros, de forma que a sombra do aglomerado poupe os cidadãos do sol inclemente dos trópicos -- o país fica a um grau da linha do Equador -- e canalize a brisa marinha para refrescá-los. "Mas esse parque é o mais novo dos quatro que formam o complexo, então, se observarmos os mais velhos, veremos que os prédios são mais afastados. Aprendemos com o tempo", brincou Whey Mao.

A disposição das construções é pensada para evitar ao máximo a abertura de novas estradas, de forma a desencorajar o uso de carros. O bairro-parque de biotecnologia, por exemplo, fica vizinho à faculdade de ciências médicas. "Os alunos são mandados para muitas empresas de pesquisa daqui e não precisam fazer grandes deslocamentos para ir da escola para o trabalho e de lá para casa", explicou Raphael Chua, consultor senior da Jurong.

Esses conceitos serão usados no projeto de desenvolvimento que a consultoria, ligada ao Ministério da Indústria e Comércio de Cingapura, fará para o Distrito Federal. Nele, constarão quatro grandes "parques": o Polo JK, a cidade-aeroporto, o centro financeiro internacional e o polo logístico. "Se há uma cidade no Brasil preparada para abrigar ideias inovadoras como essas, essa cidade é Brasília", comentou, entusiasmado, o deputado Israel Batista, integrante da delegação brasiliense.
O contrato entre o GDF e a Jurong será assinado na manhã desta quarta-feira. "Será um marco na história do Distrito Federal. Estamos preparando nossa cidade para oferecer qualidade de vida excepcional a seus moradores", aposta o governador.