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Cada vez mais perto do TCDF

Necessidade de contar com um aliado no tribunal leva Agnelo a se definir pela escolha de ex-secretário

Ao que tudo indica, o governador do DF, Agnelo Queiroz, bateu o martelo no nome que será indicado ao cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do DF (TCDF). O escolhido seria o deputado federal petista Paulo Tadeu, seu ex-secretário de Governo, por agregar as exigências do posto às necessidades do governador, que precisa emplacar no órgão uma pessoa de inteira confiança. A próxima vaga é do conselheiro Ronaldo Costa Couto, que se aposenta dia 3 de outubro. A indicação é vinculada apenas ao governador.

Agnelo teria se decidido por Paulo Tadeu depois de uma reunião, no início do mês, quando membros do Executivo aconselharam o governador a colocar alguém “seu” como conselheiro. A sugestão, vinda de pessoas próximas ao governador, serviria para proteger o governo durante negociações com o tribunal. Além disso, Agnelo não teria, hoje, ninguém de sua confiança no órgão. A decisão teria sido anunciada pelo próprio governador, entre amigos.

Por meio da assessoria, Paulo Tadeu afirmou que a decisão está nas mãos do governador. Entretanto, ainda não teria sido convidado para o cargo, oficialmente. Adiantou que o plano é trabalhar uma candidatura para o Senado – embora não descarte a possibilidade de ir para o TCDF – porque o assunto nunca teria sido tratado entre ele e Agnelo. Procurado pela reportagem, Agnelo disse que não falará enquanto o “tempo político” não estiver fechado.

De acordo com a Lei Orgânica do DF, os conselheiros do tribunal devem ter mais de 35 e menos de 65 anos, idoneidade moral e reputação  ilibada, conhecimentos jurídicos, contábeis, econômicos e financeiros ou de administração pública e mais de dez anos de exercício de função ou de efetiva atividade profissional que exija os conhecimentos necessários. “Esperamos que o governador esteja atento ao que diz a lei na hora da indicação”, afirmou o conselheiro Renato Rainha.

MUDANÇA DE CADEIRAS 

Com a possível ida de Paulo Tadeu para o Tribunal de Contas, ajustes deverão ser feitos por Agnelo na estrutura de governo. A primeira delas é na Secretaria de Governo do DF, comandada atualmente por Gustavo Ponce de Leon. Ponce era secretário-adjunto da pasta quando Paulo Tadeu aceitou o pedido do governador para voltar à Câmara dos Deputados.

Sem a possibilidade de Paulo voltar à secretaria, Ponce poderá ser efetivado, e o atual coordenador de Articulação Intragovernamental da Secretaria de Governo, Reinaldo Gomes, assumiria como secretário-adjunto. “Não temos conversado sobre esta movimentação. O cargo que Reinaldo assume hoje é semelhante ao de adjunto, em nível hierárquico, e qualquer coordenador poderia assumir, já que a equipe vem, há meses, de um trabalho de parceria”, avaliou o secretário Gustavo Ponce.

Outra movimentação política envolve o nome do irmão de Paulo Tadeu, Ricardo Vale. A intenção seria articular a campanha de Ricardo para uma cadeira na Câmara Legislativa, como deputado distrital. Ricardo controla a ONG CataVento, citada nas investigações sobre verbas do Ministério do Esporte, entre 2003 e 2006. Ricardo seria o sucessor político do irmão.

Por Camila Costa

 Fonte: Jornal de Brasília - 21/09/2012