25jun/120

Caputo e o sonho de trocar a OAB pelo Buriti, até na marra

 

 Na medida em que Agnelo Queiroz ganha musculatura e suas metas têm início, surgem novas trincheiras em setores organizados que sonham com a oportunidade de uma aventura em direção ao Palácio do Buriti. Além de vencer a longa distância que existe até 2014, o sonho de chegar ao GDF tropeça na desinformação.

 Nos corredores corporativos de Brasília, muitos grupos deixam escorrer notícias de que estarão no pleito, representados por novos nomes e novas caras e bocas. Se é para ganhar espaço, ele pode estar restrito a esta coluna apenas. E só hoje. É o caso do mais recente “vazamento” de que Francisco Caputo vem do alto da sua presidência na OAB-DF, preparando um caminho para chegar lá.

 É sempre assim: alguém que está por perto sugere – normalmente com disfarçada conivência dele próprio –, difunde e alimenta a ideia. Tenta dessa forma, multiplicar a sugestão.

 Talvez por inspiração no êxito de Cristovam Buarque quando venceu a eleição sobre Valmir Campelo. No início Cristovam aparecia nas pesquisas com minguados 2% e Campelo, que deu nome ao estádio Bezerrão, era conhecido candidato de Joaquim Roriz.

 Na teoria o resultado de Buarque traz a esperança de que o impossível é para ser sonhado, mas há desinformação nos mais profundos desejos de chegar ao primeiro posto do executivo local. Vamos lá. Nas eleições para a OAB DF, quando 14.600 advogados votaram, Caputo recebeu apenas 4.800 votos contra 4.300 de Ibaneis Rocha. Esdras Dantas, ex-presidente da entidade por duas vezes, foi contemplado com quase 3.000.

 Um sintoma de que ocupar a principal cadeira da OAB não basta. Além disso, Caputo vai enfrentar agora em novo pleito da OAB o mesmo Ibaneis e Esdras juntos e testar a sua capacidade de crescimento eleitoral. No passado, Maurício Corrêa presidiu os advogados, sonhou até a morte com o GDF, mas sua maior conquista foi o Supremo Tribunal Federal.

 Poucos dias antes do seu falecimento, em uma reunião no PSDB onde estava filiado, Corrêa deixou clara a ambição de disputar as eleições majoritárias no DF. E olha que estamos falando de uma personalidade que enfrentou a ditadura, foi combativo, trazia na bagagem uma biografia madura e que a sociedade conhecia.

 Caputo e seus mensageiros servem como exemplo de que tudo podem aqueles que sonham. Para ser legalista em se tratando de advogados, é um direito de todos atingir novos patamares, conquistar espaços. O problema é o impulso necessário para sobrepor obstáculos e o pior deles é a desinformação.

 Cercado por amizades capazes de plantar boatos minimamente elaborados, Francisco Caputo estaria mais confortável na condição de líder se seus desinformados aliados deixassem de lado a literatura legal e estudassem matemática.

 Talvez estejam inspirados no autor Erich Von Däniken que provou ser autêntico fazer a imaginação navegar sem bússola e encontrar razões que o bom-senso desconhece. Eram os deuses astronautas? Von Däniken fez lá suas contas e acha que muita gente estranha andou pelo nosso planeta algum dia. Convenceu uma legião de leitores.

 Se no Distrito Federal os eleitores forem capazes de acreditar, nos próximos dois anos, que marcianos existem e podem ser recebidos em suas residências para tomar um café, vamos ter que reconhecer que não há mesmo nada impossível entre o Céu e a Terra.

 Por enquanto, a recomendação mais singela para Caputo e seus comandados é a de que prestem muita atenção no seu próprio planeta - que pretendem continuar presidindo. Levitam 10 mil profissionais do Direito que não visitaram a sua órbita na eleição passada da OAB DF.

 Quanta gente estranha, não é mesmo?

 Fonte: Notibrás