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Combativo, Fraga vê o tempo passar. Terá fôlego para 2014?

Por Fhored Uerba -- O combativo ex-deputado federal Alberto Fraga, antes coronel comandante da Polícia Militar, agora comandante do Democratas DF, partido político que hospedou nomes como José Roberto Arruda, Paulo Octavio e Eliana Pedrosa, tinha ainda Demóstenes como correligionário.

Suas cenas oferecendo solidariedade ao amigo e ex-governador Arruda quando este esteve preso são emblemáticas. O tempo passou e a história recente deixou como lição algumas verdades, entre elas, o fato de que em política a decisão a ser tomada muitas vezes conta com apenas algumas horas e o destino pode ser alterado completamente.

Fraga carrega no bolso 500 mil votos, obtidos na última eleição para o Senado, momento muito conturbado no Distrito Federal. Deixado solitário no Democratas, primeiro pelos seus pares eleitos, por potenciais candidatos e em seguida pelos partidos que migraram para a coligação liderada por Joaquim Roriz, na última hora decidiu também acompanhar o mesmo bloco, abandonando a disputa pelo cargo de governador do Distrito Federal.

Desistiu contrariado, depois que Augusto Carvalho negou a participação do PPS na sua coligação. Para ele, a última fronteira que poderia levá-lo ao Buriti. Ironicamente, hoje o mesmo Augusto Carvalho segue a orientação nacional para desembarcar do governo de Agnelo Queiroz, a quem prestou apoio no último momento. As reflexões de Fraga devem passar pelo velho ditado "antes só do que mal acompanhado..."

O tempo passou, seu expressivo resultado nas urnas não foi suficiente para tomar o assento de Rodrigo Rollemberg ou de Cristovam Buarque, sua solidão vem crescendo no Democratas, mas seu modo combativo de ser está representado nas inserções da propaganda política na TV. Dependendo do timming, é preciso aceitar que a decisão de seguir só pode muitas vezes mudar o resultado de uma eleição.

Naquele momento do DF, 2010 passava por grandes mazelas políticas. Havia um cenário fragmentado, pesquisas identificavam uma grande herança eleitoral deixada por Arruda e que seria muito provavelmente canalizada ao seu pleito, caso mantivesse sua candidatura ao GDF. Nunca saberemos como teria sido o resultado da eleição com a participação de Fraga ao governo. Com ou sem o PPS. Porque o tempo era aquele.

Os minutos e segundos consumidos para tomar a decisão de caminhar em direção a casa de Roriz, desistindo da tentativa de ocupar a residência de Águas Claras, devem ressoar até hoje em sua mente. O cenário que àquela época parecia ruim, hoje é pior. Eliana e sua trupe lideraram o espólio do Dem em direção ao PSD de Rosso. Arruda mergulhou e pode vir à tona em breve. A cadeira no Senado onde interinamente estava o democrata Adelmir Santana, foi ocupada pelos concorrentes. De fato, tudo pode ficar pior.

O Dem só tem produzido CPIs e investigações nos últimos anos. A postura de guerreiro implacável que temos assistido na TV, crítico ácido do governo Agnelo Queiroz, poderia ter produzido dividendos inimagináveis nas eleições de 2010. Mas ele se julgou só e concluiu que assim não valeria à pena continuar sua campanha para ter assento no Buriti.

Hoje, mais só do que nunca, tem em seus mais profundos pensamentos as convicções ou arrependimentos sobre aqueles poucos minutos de decisão. E fica a lição de que a política é feita de momentos e oportunidades.

Teria Fraga provocado um segundo turno e teria sido ele o adversário de Agnelo? Mais: teria Fraga vencido, mesmo só, a eleição ao Buriti?

Ninguém saberá jamais.?

 

Fonte: Notibras