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Leonardo Vilela anuncia desistência de candidatura em Goiânia

José Cácio Junior, A Redação (Goiânia)  
 
Faltando pouco mais de duas semanas para as convenções partidárias, o partido do governador Marconi Perillo (PSDB) está sem candidato para a disputa à prefeitura de Goiânia. Em reunião com o conselho político da legenda nesta quinta-feira (14/6), o deputado federal Leonardo Vilela (PSDB) desistiu de disputar a eleição na capital, quatro meses depois de ter sido escolhido pré-candidato. Nos bastidores, correligionários afirmam que Leonardo teria dito que sua candidatura "perdeu o timing". Marconi afirmou que foi consultado por Leonardo Vilela antes dele tomar a decisão e aconselhou apenas para ele "seguir o coração". Agora o partido deve decidir entre os deputados Fábio Sousa (estadual) e João Campos (federal).
 
Segundo o presidente do conselho político do PSDB, o ex-prefeito de Goiânia Nion Albernaz, Leonardo apresentou uma "série de ponderações de ordens política, financeira e pessoal" para desistir. "É uma atitude pessoal dele, não do PSDB. Agora o PSDB vai conversar com todos os candidatos o mais rápido possível, pois temos 15 dias para as convenções", anunciou Nion à imprensa, defendendo uma só candidatura da base.
 
O núcleo político do PSDB participou da reunião. Fábio e Leonardo saíram antes e não quiseram falar com a imprensa. Enquanto isso, Nion, o presidente regional do PSDB, Paulo de Jesus, o ex-secretário de Planejamento na gestão Nion e o secretário da Metrobus, Carlos Maranhão fechavam os pontos para anunciar a desistência do deputado federal.
 
De acordo com pessoas próximas a Leonardo, não havia clima para a campanha do deputado federal depois das denúncias em relação ao empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. "Em todo lugar que ele ia só falavam de Cachoeira. Isso desanimou a candidatura", admitiu um aliado.
 
Leonardo também teve nome ligado a Cachoeira. No início de abril foram divulgadas duas conversas do deputado com o empresário. Leonardo admitiu as conversas. Em uma delas, tentou pedir emprego para uma de suas filhas com a ex-mulher de Cachoeira. Em outro contato, ele tentava marcar um jantar, via Cachoeira, com o senador Demóstenes Torres (sem partido), então nome do DEM para disputar a prefeitura de Goiânia.
 
Aglutinação
 
O desafio agora do PSDB é aglutinar o partido e conseguir lançar uma candidatura competitiva. A falta de apoio interno foi um dos motivos para que a candidatura de Leonardo não ganhasse corpo. No processo de escolha, o partido rejeitou os nomes de João Campos e Fábio Sousa. A ligação dos dois com setores evangélicos fez com que fossem vetados. Mesmo tendo negado em nota, o partido temia que a proximidade com evangélicos segregasse a campanha tucana e afastasse apoio de outros segmentos religiosos.
 
Apesar dos dois nomes, o fator evangélico pesa contra João Campos e Fábio Sousa. Líder da Frente Parlamentar Evangélica na Câmara dos Deputados, o deputado federal - cotado para ser o candidato - teve desgaste depois de propor um projeto batizado como "cura gay". A matéria propunha a alteração de dois artigos do Conselho Federal de Psicologia, de 1999, liberando psicológos a tratar a homossexualidade como transtorno.
 
Conversas
 
Além de definir o nome do partido, Nion afirmou que irá se reunir com presidentes dos partidos da base para definir a candidatura o mais rápido possível. A ideia do PSDB é já apresentar o candidato aos partidos aliados e então discutir a indicação do vice e a composição de chapas.Um dos nomes cotados para compor chapa com os tucanos é do deputado estadual Francisco Jr. Pré-candidato pelo PSD, a proximidade de Francisco com setores que o PSDB não possui penetração, como a Renovação Carismática Católica (RCC), é uma dos motivos tido como agregador.
 
Marconi havia dado sinais de que até o final da semana o nome da base poderia mudar. Em entrevista coletiva na quarta-feira (13/6), para fazer um balanço do seu depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) no Congresso Nacional no dia anterior, o governador também disse que irá se manter afastado do processo político neste ano.

 

fonte: estaçãodanoticia