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Marconi explica que venda da casa foi “totalmente legal

O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), explicou, em seu depoimento à CPMI do Cachoeira na manhã desta terça-feira, que a venda da sua casa foi “totalmente” legal. Ele ressaltou por diversas vezes que “vendeu uma propriedade sua, e não um bem do estado”, e que só depois de receber o valor total do negócio descobriu que o ex-vereador Wladimir Garcez teria conseguido um empréstimo para comprar o imóvel. Perillo disse que depositou em sua conta pessoal o valor, e declarou no imposto de renda.

 - Eu recebi três cheques pré-datados. E já me arrependi de não ter visto de quem era o cheque.

Perillo explicou também que o ex-assessor dele Lúcio Gouthier Fiúza estava presente na revenda da casa para o empresário Walter Paulo Santiago porque o imóvel ainda estava no nome dele, e não no de Wladimir Garcez.

- Meu representante não recebeu qualquer valor na negociação da casa com Walter Paulo. Vendi a casa no valor do mercado para Wladimir Garcez. Não recebi duas vezes pelo imóvel - garantiu o governador.
E acrescentou:

- Se a negociação fosse fraudulenta, eu jamais teria declarado a venda à Receita Federal e ter colocado anúncio nos classificados - concluiu.

Relação com Cachoeira

Perillo começou seu depoimento às 10h30 dizendo que veio "com a cabeça erguida e firme no propósito de apresentar a verdade dos fatos". Ele também se disse vítima das denúncias que, segundo ele, representam "fatos distorcidos" e "informações descabidas".

Durante o depoimento ele negou ter qualquer "relação de proximidade" com o contraventor Carlinhos Cachoeira, destacando que as gravações telefônicas da Polícia Federal registram apenas um diálogo dele com o contraventor, por ocasião do aniversário de Cachoeira.

- Só há uma e fortuita ligação telefônica. Estava na casa de um amigo, quando alguém dos presentes me disse que era aniversário do senhor Carlos Cachoeira. Me perguntou se eu aceitaria falar com ele pela data. Não estava ali telefonando para um contraventor, mas para um empresário que atuava no setor de medicamentos, sócio do maior laboratório de bioequivalência (de Goiás). Disse que, se ele telefonasse, eu falaria. Conversa rápida e trivial.

Ao ser questionado pelo deputado Felipe Pereira sobre quantas vezes esteve com Carlinhos Cachoeira, Perillo explicou que esteve com ele por três vezes - a primeira no Palácio do Planalto, a segunda no Detran e a terceira na casa do senador Demóstenes Torres. Perguntado se ele sabia que Cachoeira era o principal contraventor de Goiás, o governador explicou que, inicialmente, sabia que Cachoeira trabalhava com jogos de loteria do estado, e depois foi apresentado como sócio de uma indústria de medicamentos.

Perillo também negou durante o depoimento que Cachoeira tenha indicado Edvaldo Cardoso para assumir o Detran no Estado. No entanto, admitiu que contratou alguns pessoas indicadas pelo senador Demóstenes Torres.

Ao ser questionado sobre o mensalão, ele afirmou que denunciou pessoalmente o esquema ao ex-presidente Lula, em 2005, mas procurou não explorar o tema durante seu depoimento, que serviria de embate caso houvesse pressão da bancada petista.

- O foco desta CPI não é o mensalão. Não vou voltar a este tema. São águas passadas.Não guardo rancor. Cumpri meu papel à época. Em assuntos que desconheço, não posso fazer nada - disse Marconi.
Sobre Delta e Jayme Rincón

Questionado sobre Jayme Rincón, que foi coordenador financeiro da campanha de Perillo e que teria recebido de Cachoeira, por meio de sua empresa, uma quantia de R$ 600 mil, o governador disse que desconhece o fato e que sua prestação de contas foi aprovada após as eleições de 2010.

- Eu desafio qualquer pessoa no Brasil, qualquer consultoria, a descobrir qualquer esquema de empreiteiros, qualquer propina ou outra irregularidade no meu governo. Não existe isso. Me estranha muito eu estar o tempo inteiro na imprensa por ter vendido a minha casa - disse Perillo, que sempre tentava mudar de tema quando o assunto Rincón surgia na CPI.

Sobre os contratos com a Delta, Perillo disse que o governo de Goiás tem 19 contratos firmados com a empresa, sendo que sete foram feitos durante a sua administração. Ele afirmou que não houve nenhuma irregularidade durante a contratação dos serviços da empresa.

Ao responder perguntas do relator Odair Cunha (PT- MG) o governador disse que o estado tem apenas 4% de contratos assinados com a Delta, num total de R$ 51 milhões, contra R$ 64 milhões do governo anterior. Ele afirmou também que o ex-vereador Garcez nunca tratou com ele sobre assuntos relacionados à Delta, mas que tinha conhecimento que ele procurou algumas pessoas do governo. Garcez é apontado pela PF como a pessoa que levava ao governo os pleitos do contraventor Cachoeira ao governo de Goiás.

Perillo também negou que o jornalista Luiz Carlos Bordoni tenha recebido, por intermédio do contraventor Carlinhos Cachoeira, por serviços prestados na campanha eleitoral em 2010.

- Ele terá oportunidade de apresentar as provas ou aqui ou na Justiça. Cabe a ele, como acusador, o ônus da prova - disse, ressaltando que ajuizou ação por calúnia, injúria e difamação contra o jornalista, que diz ter recebido R$ 40 mil das mãos do governador.

Perillo falou sobre suas administrações no governo de Goiás, que, segundo ele, registrou aumento no PIB e na geração de emprego e renda neste estado. E, a todo momento, se dizia vítima de uma "grande injustiça". Segundo ele, muitos veículos de comunicação estão divulgando informações descontextualizadas.Informações de O Globo.