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Novas pistas sobre dinheiro da venda da casa de Marconi

Márcio Leijoto, O Popular

O dinheiro da venda da casa do governador Marconi Perillo (PSDB), no Condomínio Alphaville, ao empresário Walter Paulo Santiago, da Faculdade Padrão, teria sido entregue, todo ou parte dele, para o empresário Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, no dia 12 de julho de 2012 - um dia antes da escritura da casa ser repassada em cartório de Marconi para uma empresa ligada a Walter Paulo, a Mestra Administração e Participação.
 
Gravações feitas pela Polícia Federal de conversas via rádio entre Cachoeira e o ex-vereador Wladmir Garcêz, que teria intermediado a compra, acrescentam novas informações e mais dúvidas sobre a negociação. Elas mostram que Cachoeira aparece como negociador no processo de venda e que o valor pode ter chegado a R$ 2 milhões, e não R$ 1,4 milhão mais “R$ 100 mil de comissão” a Garcêz, como o ex-vereador informou em depoimento na CPI do Cachoeira, no dia 24 de maio.
 
O pagamento teria sido feito parte em dinheiro, conforme apontam conversas interceptadas nos dias 6, 8 e 12 de julho de 2011. Foi neste último dia que teria ocorrido o encontro no qual Walter Paulo repassou o dinheiro à Garcêz e ao assessor especial do governador, Lúcio Fiúza Gouthier, que foi exonerado ontem (veja reportagem na página 4).
 
Cachoeira tentava fechar a venda em R$ 2,3 milhões, mas Walter Paulo, conforme indicam conversas de Cachoeira com Garcêz, aceitou pagar R$ 2 milhões. O empresário tinha pressa em receber o dinheiro. “Você vai falando em dois e trezentos, depois vai baixando”, pede Cachoeira, em conversa no dia 12 de julho, pouco antes de Garcêz se encontrar com Walter Paulo.
 
As gravações também indicam que Walter Paulo não sabia do pagamento feito por Garcêz ao governador pela casa em R$ 1,4 milhão em três cheques, no mês de março. Em mais de uma vez, Cachoeira pede ao ex-vereador que não mencione ao empresário sobre o cheque e que avise a Lúcio Fiúza que também não toque no assunto.
 
“Fala assim, ó Wladmir: ‘seu Paulo, é que eu tô aqui no palácio (do governador) então vou deixar os dois milhões à vista, viu? Já tá fechado aqui então’, mas sem dado, viu?”, teria dito Cachoeira ao ex-vereador, no dia 8 de julho.
 
Dois dias antes, Garcêz informou que Walter Paulo propôs R$ 1,5 milhão em dinheiro e R$ 500 mil em gado. Em determinado momento o empresário pede para Garcêz fingir que está conversando por telefone com Fiúza na frente de Walter Paulo. Para o governo, é uma prova de que a dupla usava o nome do agora ex-assessor para barganhar com o empresário.
 
No dia 12 de julho, Wladmir ligou pelo menos duas vezes para Cachoeira para avisar que estava primeiro com o Walter Paulo e depois com Fiúza.
 
Pouco depois das 9h30 da manhã do mesmo dia, Cachoeira pede a Garcêz que lhe entregue o dinheiro da venda da casa em seu apartamento, em um edifício de luxo na Avenida 136, no Setor Marista. Às 13h30, Garcêz avisa Cachoeira que vai entregar R$ 1,5 milhão para o secretário do empresário, Rogério Diniz, também denunciado na Operação Monte Carlo, na garagem do Edifício Excalibur. Não é mencionado o que foi feito com os R$ 500 mil restantes.
 
Na tarde do dia 12, Cachoeira foi flagrado ligando para Rogério para que deixe as contas da casa do Alphaville com Walter Paulo, pois ele já comprou a casa.
 
Pouco tempo depois, a mulher de Cachoeira, a empresária Andressa Mendonça se mudou para a residência. Walter Paulo disse que não sabia quem era a inquilina e que atendia um favor de Garcêz.
 
A assessoria de imprensa do governo estadual afirmou que o governador não pode ser responsabilizado por conversas de terceiros e que o imóvel foi vendido por R$ 1,4 milhão.
 
A assessoria diz também que trechos de gravações editados e desconectados dos fatos “não podem e nem devem se contrapor à realidade”.
 
Marconi sustenta que recebeu três cheques de Garcêz pela casa em março e que ao repassar a escritura ficou sabendo que o proprietário seria Walter Paulo. O ex-vereador afirma que queria comprar a casa e pegou os cheques emprestados ao ex-diretor da Delta Construções, Cláudio Abreu, e a Cachoeira, mas como não conseguiu pagar o empréstimo, vendeu para Walter Paulo.
 
As gravações mostram que Walter Paulo deu pela casa pelo menos R$ 600 mil a mais do que consta na escritura.