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OPINIÃO Uma nuvem sobre a Câmara

Por Ricardo Callado – O clima na Câmara Legislativa anda pesado. Assessores comentam a sensação de uma nuvem estacionada acima do prédio do Legislativo distrital. Superstição à parte, o ambiente está tenso. As sessões estão esvaziadas. A motivação ficou de lado.

Rotula-se um ambiente pesado aquele habitado por pessoas invejosas, ciumentas, orgulhosas, cheias de melindres ou mesmo contrariadas que modificam os “ares” e causam esses constrangimentos. Talvez alguns desses sentimentos possam estar agindo na Câmara Legislativa. Mas, o principal motivo é a disputa pelo poder. A qualquer custo. Nada além da política. Ou o submundo dela.

Estão em pauta a eleição da nova composição da Mesa Diretora, das comissões permanentes e a aprovação de alguns projetos importantes. A Lei de Uso e Ordenamento do Solo (LUOS), por exemplo, promete remontar o balcão de negócios.

A situação do presidente da Câmara, deputado Patrício (PT), pode ser vista por dois ângulos: o interno e o externo. No interno, a sua gestão tem agradado aos parlamentares. Ele faz um trabalho que privilegia seus pares. Não a todos, claro. E são eles que votam e irão decidir se Patrício será reeleito ou não. O estranho é a maior resistência vem de deputados do PT, o seu partido.

No externo, seu nome não é bem visto pelo Palácio do Buriti e partidos aliados, como o PMDB. Nunca se viu um presidente aliado dar tanto trabalho ao governo. O Buriti não deu tudo o que Patrício pediu. O governo também não recebeu tudo o que queria. Daí a queda de braço.

Como o Executivo demora e às vezes não cumpre acordos com os deputados, cria-se uma insatisfação. Isso faz o nome de Patrício crescer e sua reeleição se manter viva, inclusive na oposição. E um parlamentar rancoroso não pensa duas vezes em criar uma saia justa para o governo.

O governador Agnelo às vezes pede para ter problemas. O que era para ser fácil, fica complicado. Agnelo é uma pessoa afável, de trato fácil. Após uma conversa, a celebração de um acordo, o interlocutor sai satisfeito. O que pega é o depois: o acordo é esquecido. E na política a palavra empenhada é tudo. Do contrário, a desconfiança e o descrédito ficam carimbados na testa. E isso vale para as conversas com o Legislativo e fora dele.

Enquanto isso, a Câmara se movimenta. Novos blocos ameaçam a hegemonia de PT e PMDB. O secretário de Justiça, Alírio Neto, e o deputado professor Israel, ambos do PEN, prometem criar o maior bloco da Casa. E vão brigar pela presidência da Câmara, das comissões importantes e por uma vaga no Tribunal de Contas.

O PSD da deputada Eliana Pedrosa, candidata assumida ao Buriti em 2014, age nos bastidores. A legenda tem quatro deputados, três de oposição. Ali, Patrício tem pelo menos dois votos. Se continuar o discurso de confronto com o Buriti, pode ganhar mais.

O articulador de Patrício dentro da Câmara é o deputado distrital Cristiano Araújo (PTB), ex-secretário de Ciência e Tecnologia. Fora dela, o deputado federal Paulo Tadeu, ex-secretário de Governo de Agnelo e parceiro de Patrício em muitos projetos.

Cristiano vai voltar ao GDF. Desta vez para a Secretaria de Trabalho. Tem a promessa de ficar com um pé na Ciência e Tecnologia. Leia-se: indicações em cargos importantes. Mas quem deve influir mesmo na pasta é o advogado Luiz Carlos Alcoforado, uma espécie de eminência parda do governo.

Alcoforado possui influência em áreas estratégicas, como a Terracap e as obras da Copa de 2014. Onde tem um grande negócio, o advogado é chamado para aconselhar. A Secretaria de Ciência e Tecnologia tem dois filões: a Cidade Digital e um tal de Fundo Imobiliário.

Enquanto nada se resolve, o clima na Câmara vai continuar indefinido. A única certeza é que Patrício é candidato. Cresce na insatisfação dos deputados com o governo. Cresce na afinidade com a oposição, mesmo sendo petista. E nos benefícios distribuídos aos colegas de Casa. Já o Buriti precisa dar a palavra.