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Renan Calheiros age para voltar ao poder

 

Renan Calheiros (C) enfrenta resistências do Palácio do Planalto, mas amplia o apoio entre os senadores do partido (FÁBIO RODRIGUES-POZZEBOM/ABR - 8/12/11<br /><br /><br />)
Renan Calheiros (C) enfrenta resistências do Palácio do Planalto

Cinco anos depois de renunciar à presidência do Senado para não ser cassado, o líder do PMDB na Casa, Renan Calheiros (AL), trabalha politicamente para pavimentar o retorno dele ao cargo. Luta contra a desconfiança do Planalto e o incômodo do atual presidente, José Sarney (PMDB-AP), queixoso de que está com pouca força para fazer o sucessor. Renan atua silenciosamente, distribui agrados aos colegas da bancada para, no momento em que julgar adequado, cobrar a gratidão daqueles a quem estendeu a mão nos momentos em que "estavam na chuva".

Dilma já disse pessoalmente a Renan que acha temerário o desejo dele de retornar ao posto de maior visibilidade do Senado. Não adiantou muito. O Planalto, então, começou a articular um plano B, a candidatura do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. Senador respeitado entre seus pares, a indicação do maranhense serviria para agradar ao conterrâneo Sarney, permitindo que este permaneça dando as cartas, mesmo após deixar o comando oficial do Congresso. A estratégia, contudo, esfarelou. Estimulados pela trupe renanzista, senadores fizeram chegar aos ouvidos da presidente que um nome "chancelado pelo Planalto" seria uma candidatura natimorta aos olhos da Casa. Sarney começou, então, a ficar desconfiado de que não conseguiria eleger Lobão e, ainda, perderia seu último bastião de poder no setor elétrico. Dilma já colocou todos os técnicos que queria nas estatais Furnas, Eletronorte e Eletrobras, desalojando apadrinhados...

Nos últimos anos, Sarney ditou as regras do setor, com o controle político do Ministério de Minas e Energia, incluindo os oito que durou o mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além disso, como a filha, Roseana Sarney, não poderá concorrer a um novo mandato de governadora do Maranhão, Lobão é um nome natural para que o grupo político que controla o estado há décadas permaneça alojado no Palácio dos Leões.

Renan Calheiros, então começou a agir. Como líder da bancada, não trombou de frente com o novo líder do governo na Casa, Eduardo Braga (AM), responsável pela exoneração de Romero Jucá (RR) do cargo. Com isso, sedimentou a relação com um dos líderes do antigo G8, grupo de oposição à cúpula peemedebista dentro da bancada. Aproveitou ainda para não deixar ao relento o sem cargo Jucá: nomeou-o relator da Comissão Mista de Orçamento.
Renan passou a distribuir também relatorias de medidas provisórias para os descontentes e emplacou Vital do Rêgo na presidência da CPI do Cachoeira. Para conseguir a neutralidade na disputa de fevereiro, até o senador Roberto Requião (PR) foi enquadrado: ganhou a presidência da representação brasileira no Mercosul. "Isso significa que Requião vai votar em Renan para presidente? Provavelmente, não. Mas ficará constrangido em fazer campanha contra", explicou um analista dos meandros peemedebistas.

Oficialmente, Renan diz que não está fazendo campanha para nada. "As eleições só serão em fevereiro. A única coisa que ninguém contesta é que cabe à maior bancada o direito de indicar o presidente. Essa bancada é o PMDB", disse ele, acrescentando que "não existem mais divisões internas na legenda, como ocorria antigamente". Mas, se a pressão contra for insuperável, poderá apoiar outro nome, alegando que, na prática, jamais pensou em voltar à presidência da Casa.

Trabalha também com a diminuição da resistência ao seu nome no Planalto. Segundo apurou o Estado de Minas, se Dilma não faz vetos diretos ao nome do líder peeemedebista – como já fizera em um passado recente –, ela teme que a Casa fique ingovernável sob o comando de Renan, com a retomada de denúncias antigas – como a venda de gado para frigoríficos sem notas fiscais – responsáveis pela derrocada do senador alagoano. As informações são do EM e Correio Braziliense.