27set/210

Temer;” Divulgação do vídeo foi para criar intriga”

Atual presidente disse para o antecessor "não esquentar a cabeça" com isso

Ex-presidente da República Michel Temer - Foto: reprodução Band

 

O ex-presidente da República Michel Temer nega que o vídeo em que aparece rindo com a imitação do atual presidente Jair Bolsonaro tenha sido divulgado com a intenção de demonstrar, de alguma maneira, que não está alinhado com o atual governo.

A gravação mostra o ex-presidente rindo muito enquanto Bolsonaro é imitado por um rapaz, filho do empresário carioca Paulo Marinho, que, de aliado, passou à condição de adversário político do atual presidente.

O vídeo foi divulgado após a intensa repercussão de sua iniciativa que resultou na “Declaração à Nação”, assinada por Bolsonaro como um gesto em direção ao restabelecimento de relações respeitosas entre os Poderes.

Durante entrevista ao Jornal Gente, da Rádio Bandeirantes, nesta segunda-feira (27), Temer afirmou que alguém com a intenção de criar intriga divulgou apenas o trecho do vídeo mostrando a imitação que se referia ao presidente.

Ele contou que o rapaz tem grande talento e imitou vozes de uma dezena de pessoas, inclusive dele próprio. “Com os olhos fechados, a impressão é que eu estava ouvindo minha própria voz”, disse ele.

Michel Temer negou a informação, divulgada em alguns veículos de comunicação, que atribuía o vídeo e a sua divulgação a alguém ligado a ele:

– “Não foi meu assessor que divulgou. Isso foi divulgado por alguém que pretendia uma incompatibilidade com o presidente Bolsonaro.”

O ex-presidente relatou ainda haver telefonado ao presidente Bolsonaro para dizer “que foi divulgado um videozinho como se fosse só a sua caricatura, imitação, mas na verdade mais nove personalidades foram imitadas”. Segundo Temer, Bolsonaro não se importou, dizendo-lhe para “esquentar a cabeça” com isso.

Protagonista da tentativa de pacificar o país com a Carta à Nação, assinada por Bolsonaro, Michel Temer viu o capital político aumentar, mas, segundo ele, isso não significa que esteja  o radar uma candidatura ao Planalto no ano que vem.

“Confesso a você que recebo solicitações e sugestões de que venha a me apresentar (candidato). Quando me dizem isso, tomo como reconhecimento ao meu governo. Posso dizer, com toda a modéstia de lado, que eu vou aos locais, supermercados, restaurantes e no geral sou cumprimentado, quando não até aplaudido. Não está no meu horizonte, eu não penso nisso”.

Ainda na entrevista, Temer disse que seria importante uma terceira via forte. No entanto, na visão do ex-presidente, o centro caminha para a diluição, fortalecendo a polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro:

“Meses atrás eu achava que poderia haver uma única candidatura. Ou seja, os partidos se uniriam, lançariam pré-candidatos e ao final lançariam uma candidatura que fosse a mais viável”, disse ele.

No entanto, avalia, “confesso que a essa altura começo a perder um pouco a esperança nisso porque candidaturas que estão sendo lançadas dificilmente voltarão atrás. Então, a tal coluna do meio, a terceira a via, pode vir a ter 3 ou 4 candidaturas. Tendo 3 ou 4 candidaturas, atomiza o voto, espalha o voto. Espalhando o voto, a polarização continua presente e muito viva”.

O ex-presidente concedeu entrevista no Jornal Gente, da Rádio Bandeirantes, aos jornalistas Thays Freitas, Sônia Blota, Pedro Campos e Cláudio Humberto.

Redação

Quero CompartilharShare on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on LinkedIn