15ago/130

Do inevitável ao impossível

 

A cassação de mandatos, sejam parlamentares ou de chefes do Executivo, sempre provocam  desgastes. Condutor do processo de impeachment do ex-presidente Fernando Collor, em 1992, o então deputado federal Ibsen Pinheiro foi vítima, dois anos depois, de um processo de cassação na Câmara dos Deputados, que o levou do céu ao inferno.  

Do alto dessa vivência, em 2005, 13 anos depois de sua via crúcis, ele apresentou, em entrevista à imprensa, seu entendimento acerca dos processos de cassação, com a experiência de quem conheceu em profundidade os dois lados da moeda. 

"O impeachment é um processo político, parlamentar e social que envolve um arco imenso de forças que, mobilizadas, tornam-no inevitável. Mas não estando presentes as condições, o impeachment é impossível... ", disse. 

A frase do ex-presidente da Câmara ilustra bem o momento vivido pela Câmara Legislativa do DF. As condições necessárias para defenestrar três deputados não foram reunidas e, em resumo, o Parlamento optou por esperar. Seguiu o exemplo do Senado e da Câmara Federal, aliás, como todos esperavam. 

A mobilização dos invasores da Câmara, por exemplo, com meia dúzia de manifestantes pouco organizados,  não conseguiu sequer a simpatia da mídia - sempre generosa com esses movimentos. Enfim, não impôs respeito, mais pela forma do que pela quantidade de participantes e coxinhas devoradas na recepção da Casa. 

Neste ponto de vista,  a decisão tomada pela Mesa Diretora  nesta manhã foi um alívio para os deputados.....

Primeiro, porque não é agradável aos parlamentares cassar o mandato de um de seus pares. Segundo, em ano pré-eleitoral, a cassação de vários deputados ao mesmo tempo ajudaria a aumentar o desgaste da imagem corporativa da instituição, o que encarece os custos da campanha eleitoral, sem falar no acesso ao eleitor, que fica mais difícil.

Além disso, embora a conta sobre na fatura da Câmara Legislativa, quem acompanha a política no DF sabe que a mão forte do GDF agiu com força para impedir os processos. Quais motivos teriam mobilizado o Executivo? Logo saberemos.

 

Por Odir Ribeiro

Fonte: Redação/Blog do Odir