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Advogado diz que Gim Argello ficou em silêncio no depoimento à PF

Ex-senador foi interrogado pela primeira vez nesta segunda-feira (25).TRF4 negou pedido de habeas corpus feito pela defesa de Argello

 Do G1 PR
Depois de ser preso na 28ª fase da Lava Jato, Gim Argello fez exames no IML (Foto: Giuliano Gomes/PR Press)

Gim Argello foi preso na 28ª fase da Operação Lava Jato (Foto: Giuliano Gomes/PR Press)

O ex-senador Gim Argello (PTB-DF) ficou em silêncio no interrogatório a que foi submetido pela Polícia Federal (PF) nesta segunda-feira (25), em Curitiba. O advogado Marcelo Bessa, que acompanhou a oitiva, afirmou que Argello optou por não responder aos questionamentos que seriam feitos, e que não adiantaria a estratégia da defesa.

Este foi o primeiro depoimento de Argello à PF desde que foi preso preventivamente, no dia 12 de abril, na 28ª e mais recente fase da Operação Lava Jato. Ele segue preso por tempo indeterminado na Superitendência da PF em Curitiba, uma vez que o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) negou liminarmente habeas corpus impetrado pela defesa do ex-senador.

A 28ª fase, deflagrada em 12 de abril e batizada de "Vitória de Pirro", investiga a cobrança de propinas para evitar a convocação de empreiteiros em Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) sobre a Petrobras, entre 2014 e 2015.

Gim, à época, era membro da CPI no Senado e vice-presidente da Comissão Parlamentar Mista (CPMI), da Câmara e do Senado. Ele foi senador entre 2007 e 2015. O nome da operação significa uma vitória obtida a alto custo.

Conforme os investigadores, o nome de Gim Argello apareceu nas delações do senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS) e do dono da UTC, Ricardo Pessoa.

O Ministério Público Federal (MPF) diz que há evidências de que o ex-senador pediu R$ 5 milhões em propina para a empreiteira UTC Engenharia e R$ 350 mil para a OAS. As duas empresas são investigadas na Lava Jato.

Os recursos foram enviados a partidos indicados por Gim – DEM, PR, PMN e PRTB – na forma de doações de campanha. O procurador Carlos Lima afirmou que o esquema de travestir propinas em forma de doações aparentemente legais "já existe e há muito tempo".

Os investigadores dizem ainda que não há indícios de que os partidos beneficiados sabiam das negociações e da origem ilícita dos recursos. As siglas, juntamente com o PTB, formaram em 2014 a coligação "União e Força", pela qual Gim Argello era candidato a novo mandato de senador pelo DF.

Outros presos

Na 28ª fase da operação, também foram presos o assessor de Gim, Paulo Cesar Roxo Ramos, e o ex-secretário-geral da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Valério Neves Campos. Eles tinham papel fundamental no esquema, de acordo com o MPF.

"Ambos atuavam como operadores de Gim Argello na negociação e no recebimento de propinas dissimuladas que foram pagas pela UTC. No caso, os representantes deslocaram-se, por diversas vezes, de Brasília para São Paulo, para fazer reuniões na sede da UTC com o fim de apontar a forma pela qual a propina destinada a Gim deveria ser paga", disseram os procuradores em documento que fundamentou a 28ª fase.

Paulo e Valério foram liberados no dia 15 de abril. Segundo os advogados, ambos afirmaram em seus depoimentos que são inocentes de quaisquer crimes apontados contra eles. Ao decidir liberá-los, Sérgio Moro, juiz responsável pelos processos da Lava Jato em 1ª instância, afirmou que ambos podem voltar a ser ouvidos “em curto prazo".