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Com suspeita de superbactéria, paciente é isolada em hospital do DF

Exames não indicaram presença de KPC; teste será refeito nesta segunda.Saúde nega ter orientado população para evitar Hospital de Taguatinga

Viaturas do Corpo de Bombeiros encaminhadas ao Hospital Regional de Taguatinga, no Distrito Federal, após suspeita de vazamento de gás (Foto: Isabella Formiga/G1)

Hospital Regional de Taguatinga, no Distrito Federal, em imagem de 2014 (Foto: Isabella Formiga/G1)

Raquel MoraisDo G1 DF

Uma paciente com suspeita de contaminação por superbactéria foi isolada na manhã desta segunda-feira (25) no Hospital Regional de Taguatinga. De acordo com a Secretaria de Saúde do Distrito Federal, ela foi avaliada por um pneumologista no dia 19, e os resultados dos exames não indicaram contaminação pela Klebsiella pneunoniae (KPC). Os testes serão repetidos ao longo do dia.

Ainda segundo a pasta, o isolamento é um procedimento normal nestes casos, mas não há restrições para atendimento a outros pacientes. Resistente a antibióticos, a superbactéria pode levar à morte. Uma mensagem que circula em redes sociais diz haver orientação para se evitar o hospital de Taguatinga, por causa da contaminação. A secretaria nega a existência da recomendação.

“Superbactéria” é um termo que vale não só para um organismo, mas para bactérias que desenvolvem resistência a grande parte dos antibióticos. Enzimas passam a ser produzidas pelas bactérias devido a mutações genéticas ao longo do tempo, que tornam grupos de bactérias comuns como a Klebsiella e a Escherichia, resistentes a muitos medicamentos.

Outro mecanismo para desenvolvimento de superbactérias é a transmissão por plasmídeos – fragmentos do DNA que podem ser passados de bactéria a bactéria, mesmo entre espécies diferentes. Uma Klebsiella pode passar a uma Pseudomonas, e esta pode passar a uma terceira. Se o gene estiver incorporado no plasmídeo, ele pode passar de uma bactéria a outra sem a necessidade de reprodução.

Superbactéria KPC (Foto: G1)

No território nacional, além da KPC, circulam outras bactérias multirresistentes, como a SPM-1 (São Paulo metalo-beta-lactamase). Entre os remédios ineficazes estão as carbapenemas, uma das principais opções no combate aos organismos unicelulares. Remédios como as polimixinas e tigeciclinas ainda são eficientes contra esses organismos, mas são usados somente em casos de emergência, como infecções hospitalares.

KPC Em outubro do ano passado, a Secretaria de Saúde isolou a UTI neonatal do Hospital Materno Infantil depois que exames feitos em três bebês apontaram a presença da superbactéria KPC. De acordo com a pasta, o diagnóstico não significava que eles desenvolveriam infecção, mas a medida havia sido adotada para evitar uma eventual propagação do micro-organismo.

Em 2010, casos notificados de pessoas infectadas pela KPC levaram a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a instituir normas de combate à bactéria. Entre as medidas anunciadas estava a instalação de dispensadores de álcool em gel em todos os ambientes de atendimento nos hospitais e clínicas públicas e particulares.

Em 2009, de 1º de janeiro até o dia 15 de outubro, 18 pacientes morreram por conta da KPC no DF. No mesmo período, foram registradas 183 pessoas portadoras da bactéria, das quais 46 tiveram infecção. A Secretaria de Saúde não informou o número total de casos desde então.

A KPC já foi identificada em Minas Gerais, São Paulo, Distrito Federal, Goiás e Santa Catarina. Ela faz parte da flora intestinal das pessoas e pode ser transmitida por meio do contato. As complicações costumam ocorrer somente em casos de pacientes com baixa imunidade, como os que estão com câncer em estágio avançado ou passaram por transplantes.