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Cresce probabilidade de Dilma retomar mandato

Por Eliane Aquino, do Cada Minuto

Não são palavras ao vento que a presidente afastada Dilma Rousseff joga ao dizer que o governo de Michel Temer é provisório. Há lógica na previsão petista de que Dilma poderá retomar o mandato, a partir da suposição de que alguns senadores que votaram pela admissibilidade de seu impeachment, já pensem em mudar o voto no julgamento final do processo.

A motivação é a repercussão negativa que está tendo o governo interino de Temer dentro e fora do país, agravada a situação com o vazamento de gravações feitas pelo ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, com ministros e políticos ligados ao presidente em exercício. O senador Cristovam Buarque (PPS-DF), por exemplo, já confessou publicamente sua decepção com a interinidade de Michel Temer, em particular com o suposto envolvimento de seus ministros em corrupção.

A insatisfação com Temer também chegou aos senadores Romário (PSB-RJ) e Acir Gurgacz (PDT-RO). Ao O Globo, ambos admitiram a possibilidade do voto contra o afastamento definitivo de Dilma. Segundo Romário, assim como questões políticas influenciaram muitos senadores na primeira votação, os fatos políticos que envolvem hoje o governo de Temer também influenciarão o julgamento do mérito. “Meu voto final estará amparado em questões técnicas e no que for melhor para o país”, justificou.

O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, contrário ao impeachment, revelou que Gurgacz lhe mandou correspondência onde diz que mudará o voto, mas o senador não confirma a informação e afirma que prefere “avaliar melhor” o cenário: “O que eu coloquei é que a admissibilidade (do impeachment) era uma necessidade, porque a população estava cobrando a discussão. O mérito é outro momento, estamos avaliando. Entendo que não há crime de responsabilidade fiscal por causa das pedaladas (fiscais), mas a questão é mais pela governabilidade, pelo interesse nacional”.

O PT aposta nesse clima de insatisfação com Temer para reduzir a probabilidade do afastamento de Dilma ser aprovado na votação final, prevista para setembro. O Senado abriu o processo de impeachment com o apoio de 55 senadores e, para confirmar essa decisão no julgamento de mérito, são necessários 54 votos.

Ou seja, basta a virada de dois votos para evitar a cassação de Dilma.

Quando a petista diz que Temer é “provisório”, ela sabe do que está falando, que ninguém se engane.

Em tempo: enquanto Temer luta todos os dias contra um fato negativo envolvendo seu partido, o PMDB, seus ministros e políticos próximos a ele, enfrenta rejeição de servidores federais e até vaias, a presidente afastada Dilma Rousseff está em campanha para melhorar sua imagem, pautada nos “erros” de Temer, em entrevistas sucessivas à imprensa brasileira e estrangeira, interagindo diariamente nas redes sociais e martelando a tese do “golpe” em que foi “vítima”.

Paralelo a isso, o Brasil se afunda mais na grave crise econômica gerada exatamente no governo petista, com inflação sem controle, desemprego em alta, empresas falindo, escolas sem educação, saúde sem atendimento, drogas entrando e matando crianlas e adolescentes no país, e a corrupção imperativa, agora, desnuda à Nação e ao Mundo.

O Brasil de hoje.

fonte: Estaçãodanoticia