31maio/120

Demóstenes Torres fica em silêncio na CPI do Cachoeira

O senador afirmou que já prestou esclarecimentos sobre o mesmo tema em depoimento ao Conselho de Ética na terça-feira

 Como antecipado por sua defesa, o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) se negou a depor na CPI mista que investiga as relações de Carlinhos Cachoeira com agentes públicos e privados, exercendo seu direito constitucional de permanecer em silêncio durante a reunião desta quinta-feira (31).

Ele alegou que já prestou depoimento ao Conselho de Ética na terça-feira, sobre fatos apurados pela comissão parlamentar. "Anteontem prestei depoimento por mais de cinco horas no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado cuja pertinência temática é a mesma desta Comissão Parlamentar Mista de Inquérito."

O silêncio de Demóstenes não agradou os membros da CPI, que afirmam que o senador deveria esclarecer pontos do depoimento ao Conselho de Ética. O mais exaltado na sala em que os parlamentares se reuniram para ouvir Demóstenes era o deputado Silvio Costa (PTB-PE). "Você trabalhou contra o país!", gritava Costa enquanto o presidente da CPI, Vilta do Rêgo (PMDB-PB), dispensava Demóstenes e encerrava a sessão. "O seu silêncio é a mais perfeita tradução da sua culpa. Seu silêncio escreve em letras garrafais: eu, Demóstenes Torres, sou, sim, membro da quadrilha de Cachoeira. Eu, Demóstenes Torres, sou, sim, o braço legislativo da quadrilha de Cachoeira", disse.

O relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), também criticou, em entrevista à Globonews, o silêncio de Demóstenes: "Ele assinou, na minha opinião, sua condenação".

Um requerimento pedindo a dispensa do senador foi protocolado na quarta-feira (30) pelos advogados do parlamentar, mas negado por Vital do Rêgo.

O advogado de Demóstenes, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, já havia afirmado na quarta que o senador ficaria calado durante o depoimento. "Sendo assim, para que vir? Não vejo sentido. Se ele vier, vai permanecer calado", disse Kakay. A defesa do parlamentar informou ter solicitado a transcrição das declarações do senador ao conselho, que será entregue à CPI.

Na quarta, porém, a comissão parlamentar não apreciou o pedido da defesa, o que, na prática, obrigava Demóstenes a aparecer, mesmo que para não dizer nada, como ocorreu com a maioria dos depoentes. Na quarta-feira, a CPI quebrou os sigilos bancário, fiscal e telefônico do senador goiano desde janeiro de 2002.

 

 Fonte: Época, com agência Senado e agência Estado