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Lucimar Nascimento articula coalização em Valparaíso


Wilson Silvestre, jornal Opção

A prefeita eleita em Val­paraíso, Lucimar Nascimento (PT), tem pela frente um grande desafio, além da gestão do município: construir maioria na Câmara de Vereadores. Os petistas só fizeram dois vereadores (os professores Antônio Bites e Silvano), contra três do PSDB (Joaquim Lacerda, Emanuel Ayres e Pábio Mossoró). Os demais são de várias siglas. A  eleita terá que conversar (e convencer) para obter apoio em seus projetos de mudanças. A prefeita Lêda Borges (PSDB) vai deixar o cargo, mas não a oposição.

 Ao contrário de muitos petistas do Distrito Federal, que ficam trombeteando que foram grandes vencedores no Entorno, como o falante deputado federal Roberto Policarpo tem feito, só Lucimar foi eleita. É muito barulho por poucas medalhas. Outro ponto nevrálgico no qual Lucimar não fala é que praticamente ficou sozinha na busca de recursos financeiros. Os tãos propalados apoios vindos de Brasília foram minguados. Choraminga um aliado de Lucimar: “Agora, todos querem tirar uma lasquinha na vitória”.

De fato, o PT nunca deu muita importância para as cidades do Entorno. Num passado recente, o hoje vice-prefeito eleito de Luziânia, Didi Viana, teve que enfrentar o poderoso Célio Silveira (PSDB) sozinho e, depois de anos segurando a barra, “agora chega a turma da alegria querendo retirar os méritos da vitória”. A mesma fonte, conhecedora das entranhas petistas em Valparaíso, conta que Lucimar sempre foi uma solitária guerreira petista colada no calcanhar do PSDB. “A vitória dela e de pouco companheiros aguerridos pouco tem a ver com a ajuda do Distrito Federal. Isso é tirar o mérito de quem sempre fez oposição sozinho por estas bandas.”

Lucimar já começou a trabalhar a formação de um novo governo, baseado no princípio dos acordos feitos com as várias siglas que apoiaram seu projeto político. Ela fala que fará uma coalizão que inclui o apoio do governo federal e do GDF. Se realmente o projeto de Lucimar só contempla estes dois governos, não irá muito longe por um simples detalhe: Valparaíso está no território goiano e não no Distrito Federal e a Capital chama-se Goiânia, onde se encontra o Palácio das Esmeraldas, sede do Executivo. Sem a ajuda de Mar­coni Perillo para alavancar projetos, pouco será feito em Val­paraíso. Mas Lucimar sabe que não é assim que as coisas funcionam. A relação institucional, a exemplo da presidente Dilma Rousseff, vai muito além de questões ideológicas e políticas.

 Segundo fontes ouvidas pelo Jornal Opção, os detalhes sobre esse novo governo devem ser finalizados na primeira quinzena de novembro, quando será formada a comissão de transição. Deste grupo, devem sair os principais secretários de Lucimar. Ela tem reforçado a tese de coalizão no sentido de ter mais coerência nas ações administrativas. Nada de cada um puxar brasa para sua sardinha. “Estou preparando uma equipe conhecedora dos problemas da cidade, para dar esse retorno positivo que o cidadão valparaisense espera e merece de nós”, disse a eleita.