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Gim Argello deixa presidência do PTB do DF e pede desfiliação do partido

Ex-senador diz que se retira para cuidar da família, saúde e defesa judicial.Ele foi preso suspeito de receber propina para blindar empresários em CPI

 Do G1 DF
Depois de ser preso na 28ª fase da Lava Jato, Gim Argello fez exames no IML (Foto: Giuliano Gomes/PR Press)

O ex-senador Gim Argello após ser preso na 28ª fase da Lava Jato (Foto: Giuliano Gomes/PR Press)

O ex-senador Gim Argello renunciou ao cargo de presidente do PTB do Distrito Federal e pediu desfiliação do partido nesta quinta-feira (9). Na carta enviada à direção nacional da legenda, ele diz que se retira da vida pública para cuidar da vida particular, “da minha família, saúde e até mesmo da minha defesa judicial”.

Gim foi preso em 12 de abril na 28ª fase da Operação Lava Jato. A etapa foi criada para investigar a cobrança de propinas para evitar a convocação de empreiteiros em Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) sobre a Petrobras, entre 2014 e 2015.

Ele era membro da CPI no Senado e vice-presidente da Comissão Parlamentar Mista (CPMI), da Câmara e do Senado. Gim foi senador entre 2007 e 2015.

Na carta de desfiliação, o ex-senador agradeceu pela oportunidade de estar à frente da legenda e diz que sempre desempenhou o papel dele “com zelo e dedicação”.

“Diante da atual situação que o país atravessa, por diversas vezes tentaram macular meu nome, e nada conseguiram, mas dessa vez chegaram ao extremo, criando e envolvendo-me em uma situação que jamais existiu”, disse.

De acordo com a carta, não existe base jurídica e factual para a prisão dele, o que gerou “uma situação de total indignação para mim e minha família”.

Conforme os investigadores da Lava Jato, o nome de Gim Argello apareceu nas delações do senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS) e do dono da UTC, Ricardo Pessoa.

O Ministério Público Federal (MPF) diz que há evidências de que o ex-senador pediu R$ 5 milhões em propina para a empreiteira UTC Engenharia e R$ 350 mil para a OAS. As duas empresas são investigadas na Lava Jato.

Os recursos foram enviados a partidos indicados por Gim – DEM, PR, PMN e PRTB – na forma de doações de campanha. O procurador Carlos Lima afirmou que o esquema de travestir propinas em forma de doações aparentemente legais "já existe e há muito tempo".

Os investigadores dizem que não há indícios de que os partidos beneficiados sabiam das negociações e da origem ilícita dos recursos. As siglas, juntamente com o PTB, formaram em 2014 a coligação "União e Força", pela qual Gim Argello era candidato a novo mandato de senador pelo DF.