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Grupo invade hotel do DF que ofertou vaga a Dirceu e registrou sequestro

Estabelecimento fechou as portas; manifestantes pedem auxílio-aluguel.Eles foram retirados no sábado de área ocupada há 2 meses na Asa Norte

Do G1 DF

A Polícia Militar diz que os manifestantes quebraram a porta de entrada, fizeram barricadas e começaram a invadir os quartos. O grupo, que pede a prorrogação do auxílio-aluguel (no valor de R$ 600 e válido durante um ano), ocupava havia mais de dois meses uma área no Setor Bancário Norte e foi retirado da invasão no sábado. O GDF diz que já pagou o benefício e que, por lei, as famílias não têm mais direito de receber o dinheiro.

Antes de ir para o hotel, os militantes tentaram se instalar na Praça do Conic, mas deixaram o local por conta própria horas depois. De acordo com o grupo, há 400 pessoas ocupando o hotel. A PM estima 120. O grupo veio de acampamentos de Brazlândia, Planaltina, Ceilândia, Recanto das Emas e Samambaia.

Um dos líderes do movimento, Edson Silva afirmou que o grupo só vai desocupar o hotel após negociação com o governo. Ele disse que, caso haja uma decisão de reintegração de posse, os manifestantes vão sair pacificamente.

"Não vamos desrespeitar a lei, mas se a gente tiver que sair daqui, vamos ter que ocupar outro lugar, porque não temos para onde ir”, declarou. "As famílias estão dormindo nos quartos. Nesses 78 dias, essa é a primeira vez que conseguimos dormir com um pouco mais de qualidade."

Silva disse que o grupo invadiu o hotel por falta de alternativa. "O governo só deu opção de rua para a gente. A gente acampou no Conic, mas não podia ficar. O hotel está aberto e abandonado, então resolvemos ocupar."

O líder do movimento falou que policiais militares quebraram o vidro da porta de entrada. "A PM chegou violenta aqui de madrugada. Eles que quebraram o vidro. A porta estava aberta, eles podiam entrar sem problema", disse.

Saint Peter O representante do hotel disse que vai entrar com pedido de reintegração de posse nesta segunda. O estabelecimento foi fechado no início do ano, atendendo a uma ordem de despejo provisória expedida pela Justiça.

O prédio, que tem 15 andares e 424 quartos, teve de suspender as atividades enquanto os dois donos do imóvel, a Alpha Empreendimentos e Administração de Imóveis, que detém 60% da propriedade, e Paulo Cézar Naya, irmão do falecido deputado Sérgio Naya, com 40%, travam uma disputa motivada pelo valor do aluguel.