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Haddad agradece a Lula e Dilma e diz que SP ‘não é ilha política’

 

Haddad foi eleito prefeito de São Paulo neste domingo com 55,5% dos votos válidos

Em seu discurso após eleito prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT) agradeceu ao eleitores, à família, partidos aliados, ao PT e principalmente ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à presidente Dilma Rousseff. Haddad lembrou da responsabilidade que terá a partir do próximo ano, dos desafios de agora em diante e ressaltou que São Paulo “não é uma ilha política”.
 
- Uma alegria imensa e uma enorme responsabilidade dividem espaço no meu peito. O sentimento mais forte, porém, é o de gratidão – disse o petista ao iniciar o discurso.
 
Haddad fez questão de agradecer e saudar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente Dilma Rousseff.
 
- Quero agradecer do fundo do meu coração ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Viva o presidente Lula! Agradeço a confiança, orientação e apoio, sem os quais seria impossível eu lograr qualquer êxito. Quero agradecer também uma grande liderança nacional, a presidente Dilma Rousseff, pela presença vigorosa na campanha desde o primeiro turno.
 
Ele ainda ressaltou as parcerias que pretende fazer no comando da cidade com os governos estaduais e federal e disse que tem por objetivo “diminuir a grande desigualdae existente na cidade de São Paulo”.
 
- São Paulo não é uma ilha política, tampouco uma cidade murada. Precisa firmar parcerias vigorosas na esfera pública, com o governo estadual e o governo federal, e com a esfera privada. Somos ao mesmo tempo uma das mais ricas e das mais desiguais do planeta.
 
José Serra falou que sua campanha foi “limpa, propositiva e defendeu a ética” e desejou boa sorte ao adversário. Também ressaltou que o eleitor deve cobrar as promessas de campanha de Haddad.
 
- As urnas falaram e as urnas são soberanas. Desejo hoje boa sorte ao prefeito eleito. Que cumpra as promessas da campanha. O protagonista de hoje foi o eleitor e o eleitor deve ser o protagonista bnos próximos quatro anos.
 
Serra fez questão de ressaltar os feitos de sua gestão à frente da prefeitura e as de seu sucessor, o atual prefeito Gilberto Kassab (PSD).
 
- Os últimos anos registraram grandes avanços e conquistas muito grandes para a cidade. Esperamos que essas conquistas sejam mantidas, aperfeiçoadas e que não haja retocesso - acrescentou o tucano.
 
Com 100% das urnas apuradas, o petista teve 55,57% (3.387.720 votos) dos votos válidos, ante 44,43% (2.708.768) adversário, o tucano José Serra (PSDB). Brancos somam 4,34% e nulos, 7,26%. A abstenção atinge 19,99% na capital paulista.

 
Haddad: "Esta cidade prcisa de dedicação"

 “Pretendo me dedicar de corpo e alma para governar São Paulo. Esta cidade precisa de dedicação”, foi como o prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), disse que será a marca de sua gestão na maior cidade do país. Eleito com 55,94% dos votos válidos (92% das urnas apuradas), Haddad deu entrevista exclusiva à TV Brasil e comentou sobre seu plano de governo.
 
Aos 49 anos, o petista vai governar a cidade com o maior Produto Interno do Brasil (PIB) do Brasil, com 11,5 milhões de habitantes e graves problemas envolvendo habitação, transporte, segurança, saúde e educação.
 
Na opinião de Haddad, é preciso redefinir os espaços de habitação da cidade e melhorar a mobilidade das pessoas que moram na periferia. “É uma cidade muito desequilibrada. O emprego está longe da moradia, o lazer está longe do emprego”. Segundo ele, para governar São Paulo é necessário superar métodos atrasados. Ele também defendeu uma reforma urbana. "São Paulo reúne todas as condições para realizar esta mudança", disse.
 
Sobre os problemas relacionados à moradia, o petista disse que vai retomar os investimentos em habitação com o foco na infraestrutura das comunidades. “Cada bairro tem que ter vida própria, com serviços públicos, comércios, moradia”, acrescentou que irá investir ainda em áreas verdes para a capital paulista voltar a respirar.
 
O prefeito eleito destacou retomada nos investimentos em saneamento básico, como medida para evitar os alagamentos na cidade. Haddad disse que considera inadmissível que o centro da cidade, em especial o Vale do Anhangabaú, ainda sofra com os alagamentos no período das chuvas. “Pretendo retomar o plano de macrodrenagem, ainda da gestão do PT na prefeitura, que foi abandonado”, disse.
 
Sobre o transporte público, um dos principais temas da campanha, Haddad disse que vai investir nos corredores exclusivos para ônibus. O prefeito pretende contar com a parceria do Ministério das Cidades para entregar, em quatro anos, 150 quilômetros desses corredores.
 
Haddad relatou que vai pretende conversar com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, sobre a parceria relacionada ao metrô. Na sua opinião, o acordo entre a prefeitura e o estado não estipula os compromissos com a construção de mais linhas e estações. “A parceria atual me parece desequilibrada. A prefeitura entra com o dinheiro e o metrô não entra com compromisso. Eu quero saber que estação vai ser construída e em quanto tempo, que nova linha vai ser implantada e isso não está claro no termo de parceria”, criticou.
 
Para dar conta dos desafios relativos à geração de emprego e renda, Haddad disse que São Paulo precisa redescobrir a sua vocação. Na opinião do prefeito eleito, além de ser o centro financeiro do país, São Paulo tem a vocação para a prestação de serviços e reúne um grande número de  universidades e centros de pesquisa, o que favorece essa redescoberta.
 
O caminho, para o prefeito eleito, é investir na chamada nova economia com o incentivo ao desenvolvimento de softwares, games e vídeos - atividades geradoras de emprego e renda, principalmente para os jovens. “Nós estamos prevendo no nosso plano de governo o fomento a laboratório de garagens focados no desenvolvimentos de softwares. O Poder Público tem que organizar isso para que se traduza em bens, em conhecimento.”
 
Haddad disse que vai implantar aulas em tempo integral para os estudantes do ensino fundamental. Os alunos passariam um turno na escola e outro em um espaço público, como bibliotecas. Outra meta é ampliar o número de creches para acabar com o déficit estimado de 140 mil vagas. “Primeiro, vou trazer R$ 250 milhões do governo federal que estão disponíveis para São Paulo e que, infelizmente, não foram acionados pela prefeitura”.
 
O plano de governo do petista ainda prevê parcerias para implantar, nos bairros da cidade, o programa Universidade Aberta do Brasil, sistema integrado por universidades públicas que oferecem cursos de nível superior à distância para quem tem dificuldade de acesso à formação universitária.
 
No que diz respeito à segurança, Haddad defendeu a ocupação por parte do Poder Público nas áreas com alto índice de violência, o investimento na polícia comunitária e a adoção de políticas sociais para jovens. Informações de O Globo e Agência Brasil.