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Iris na campanha fez Paulo Garcia subir nas pesquisas em Goiânia

 


Valterli Guedes Especial para o Diário da Manhã

Há quase 50 anos, ele é o maior líder político de Goiânia. Desde que, em 1965, derrotou um conjunto considerável de forças, unido em torno da candidatura de um ex-governador bem avaliado, José (Juca) Ludovico de Almeida, Iris  Rezende Machado, então o deputado estadual mais votado, um jovem de pouco mais de 30 anos, passou a ser o político com maior influência sobre o eleitorado da Capital.

Goiânia tinha, em 1965, cerca de 200.000 habitantes. Só havia uma pista asfaltada ligando o centro ao bairro mais populoso daquela época, Campinas. Era a Avenida Anhanguera, que em Campinas tinha só uma pista. Bairros importantes, como os setores Oeste e Aeroporto, não estavam asfaltados. A prefeitura não dispunha de sede própria, e o mesmo acontecia com a Câmara de Vereadores.

A partir da posse de Iris, no início de 1966, ocorreram mudanças extraordinárias na cidade de Goiânia.  A cidade nunca mais foi a mesma. E Iris, mesmo tendo tido cassado o mandato e suspensos os direitos políticos por dez anos a partir de outubro de  1969, passou a ser referência nacional como administrador bem avaliado. O eleitor goianiense nunca mais o esqueceu, e a prova foram as duas eleições seguidas para prefeito, em 2004 e 2008. A mais recente demonstração de prestígio foi dada no meio da campanha. Bastou Iris aparecer no programa eleitoral gratuito apoiando o atual prefeito, Paulo Garcia (PT), candidato à reeleição, e os meios de comunicação passaram a admitir que a eleição em Goiânia seria definida no primeiro turno. Claro, com a vitória do candidato de Iris.

Isto, se por um lado atrai aplausos para o ex-vereador, ex-prefeito, ex-deputado, ex-senador e ex-ministro de vários governos, por outro faz gerar o ódio entre adversários. E então Iris passa a não gozar de sossego sequer para convalescer de quatro cirurgias a que foi submetido nos últimos meses, sendo três em Goiânia e uma em São Paulo. Todas para corrigir  avarias na coluna, o que vinha lhe causando dores insuportáveis. Falava-se até na hipótese de Iris, um animal político incorrigível, deixar de fazer o que mais gosta: política. Mas Iris apareceu na campanha. Gravou para inúmeros correligionários, para divulgação no rádio e na TV. Foi fotografado ao lado de candidatos a prefeito e vereador que, felizes, sabem que em todo o Estado que Iris governou por dois mandatos, esse apoio é garantia de votos, e, em muitos casos, até da vitória.

Mas tudo isso, repita-se, atrai a ira de adversários, que o ex-prefeito tem aos montes não só nos partidos políticos, mas também no Ministério Público e até na magistratura. Não é para estranhar, pois esses segmentos são todos constituídos por seres humanos, passíveis de vontades, preferências e até de fraquezas. E é então que passam a surgir denúncias contra Iris. Os denunciantes sequer atentam para o fato de que Iris foi o homem mais investigado de Goiás, pelo mesmo Ministério Público Estadual, de onde, agora, um ou outro promotor se arvora em denunciante. E sabe o que foi encontrado de errado na vida pública do veterano político? Nada. Nada de errado. Nada que lhe possa ser imputado, conforme documento conclusivo do próprio Ministério Público, assinado em 29 de outubro de 2004 pelo então promotor de Justiça Umberto Machado de Oliveira.

Trâmite e conclusão

Tudo começou durante a disputa do segundo turno na campanha governamental de 1998. Durante um debate transmitido pela então Rádio K, sob o comando do jornalista Jorge Kajuru, tendo em vista acusações do candidato Marconi Perillo contra Iris Rezende, o mediador do debate, que se postava claramente contra o irismo, fez uma sugestão: os dois candidatos abririam mão de todos os seus sigilos patrimoniais, bancários, telefônicos  e fiscais para apuração de possíveis irregularidades em suas vidas públicas. Ambos toparam de pronto, e o procurador geral de Justiça do Estado, Demóstenes Lázaro Xavier Torres, mais tarde secretário de Segurança Pública do primeiro governo de Marconi; depois senador eleito e reeleito, depois cassado por seus pares sob acusação de envolvimento com o contraventor Carlinhos Cachoeira, Demóstenes, repita-se, foi colocado na linha ao vivo, e, como chefe do Ministério Público, assumiu o compromisso de determinar a apuração, que, pelo menos no que se refere a Iris, foi feita.

Coube ao próprio candidato adversário de Iris, Marconi Perillo, oferecer toda a linha da investigação, que envolvia até os pais de Iris, dona Genoveva e o senhor Filostro Machado Carneiro. O Ministério Público investigou o patrimônio de toda a família, que disponibilizou os dados solicitados. Para resumir: Iris foi investigado desde antes de nascer. E o Ministério Público concluiu que todas as acusações eram falsas e improcedentes. O relatório final foi assinado em 29 de outubro de 2004, pelo promotor de Justiça Umberto Machado de Oliveira. Foram, portanto, cinco anos de rigorosa investigação, que, no final, deu ao investigado um documento invejado por milhares de políticos pelo Brasil afora: um insuspeito atestado de honestidade.

Tudo isso, ao lado da obra física que concretizou, seja como prefeito, seja na condição de governador, uma obra que chegou a todo o Estado, de tal sorte que ninguém conseguirá percorrer Goiânia ou Goiás sem encontrá-la, sem visualizá-la ou tropeçar nela, confere ao cidadão Iris Rezende Machado uma credencial invejável: a de político honesto e trabalhador. Nada mal para quem há mais de meio século é militante ativo da conturbada cena política brasileira.