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Lançamento de frente parlamentar vira puxão de orelha em distritais

Cansados de só verem os distritais em época de eleições, os empresários do setor varejista do Distrito Federal aproveitaram o almoço de lançamento da Frente Parlamentar em Defesa do Setor Varejista, nesta segunda-feira (27/6), para cobrar. Eles querem mais produtividade dos deputados na elaboração de projetos que estimulem o desenvolvimento da economia local.

O discurso do presidente do Sindicato do Comércio Varejista (SindVarejista), Edson Castro, foi duro com os parlamentares. Castro disse que, em período de eleições, os políticos procuram empresários, comerciantes e lojistas para pedir votos, mas, já eleitos, os distritais se esquecem de trabalhar para atender a demandas do setor, bastante atingido com a crise financeira do país.

“Nas eleições, eles ficam  todos nas nossas portas. Quando vamos à Câmara Legislativa, não temos quem procurar. Vendo isso, nos dois anos como presidente do Sindvarejista, resolvi criar um site que mostrará o que eles vêm fazendo pelo setor”, contou Castro. O levantamento sobre a produção dos deputados estará disponível na página do sindicato na internet.

Para criar a frente parlamentar, 16 deputados assinaram a proposta. O grupo será presidido pela deputada Sandra Faraj (SD). A distrital quer contato direto entre a Câmara Legislativa e o setor produtivo para aumentar a efetividade na elaboração de propostas que atendam os empresários.

“Estávamos sem um canal direto de comunicação entre os empresários e a Câmara Legislativa. Há vários deputados sensíveis às demandas do setor e, agora, os empresários poderão identificar quem os ajudará”, afirmou Sandra Faraj.

Atuação

Sandra afirma que o trabalho se dará em três frentes. A primeira será para organizar a cobrança dos tributos, que, segundo ela, além de altos, têm uma fórmula complexa. A segunda pretende discutir como gerar novos empregos e a terceira vai debater segurança, causa de muitos prejuízos aos lojistas e clientes por causa do crescente número de assaltos em todo o DF.

O secretário de Trabalho, Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, Joe Valle, aprovou o “puxão de orelha” dado pelos empresários nos distritais.

“A burocracia é consequência das travas impostas pela legislação”, afirmou o secretário. “Temos 160 leis sobre o setor produtivo. É preciso ver quais delas atrapalham o setor para que sejam reformuladas e parem de atrapalhar”, emenda.

O secretário contou ainda que já realizou oito de 10 reuniões que fará com o Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) para a elaboração de um pacto entre o órgão, os empresários e o Governo do Distrito Federal (GDF). O objetivo é desenvolver uma política para a geração de novos postos de trabalho.

Promessa de campanha de Joe Valle em sua candidatura a deputado distrital, o secretário espera instalar o Parque Tecnológico Capital Digital até o fim de seu mandato. Ele prevê investimentos da ordem de R$ 4 bilhões no local e a criação de 15 mil postos de trabalho.

“Se o parque não sair, não poderei mais me candidatar. Fiz um trato com o setor de tecnologia digital. Se o governador não quiser que eu me candidate, basta não fazer o Parque Capital Digital, pois ele é a locomotiva para essa cidade”, afirmou Joe Valle.