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Manifestações nas ruas do Centro marcam o sexto dia da Rio+20

Mulheres marcham durante protesto na Rio+20, no centro do Rio (foto:Reuters)

 O sexto dia da Rio+20 é marcado por manifestações pelas ruas da cidade. Três manifestações ocorreram nesta quinta-feira no Centro da cidade, unindo ambientalistas, índios e mulheres de seios de fora. O trânsito na região ficou caótico durante todo o dia, e, mesmo com todos as vias já liberadas, segue problemático.

O protesto deste fim de tarde é de ONGs ambientalistas contra o Código Florestal.Empunhando faixas e cartazes com críticas à presidente Dilma Rousseff, os manifestantes do movimento organizado pelo Comitê Brasil em Defesa das Florestas — o mesmo que liderou a campanha “Veta Dilma” — caminharam pela Avenida Presidente Antônio Carlos em meio ao trânsito.

Eles sentaram na rua por dois minutos e prosseguiram com o protesto. Os manifestantes seguiram pelas avenidas Almirante Barroso e Rio Branco. O trânsito foi liberado nestas vias por alguns minutos, em quanto os manifestantes seguiam pela Avenida Chile, onde protestaram em frente à sede do BNDES.
 
Em seguida, os manifestantes deram a volta e retornaram para as avenidas Almirante Barroso e Rio Branco. Na Rio Branco, quatro faixas foram bloqueadas pela manifestação. O protesto seguiu para a Cinelândia, e de lá para o Aterro do Flamengo, que foi temporamente interditado nos dois sentidos para a passagem dos manifestantes em direção ao MAM.
 
Índios também marcharam no Centro nesta segunda-feira
 
Mais cedo, duas manifestações deixaram o trânsito bastante complicado no Centro. Após a marcha realizada por mulheres que participam da Cúpula dos Povos (veja fotos do protesto), indios contrários aos investimentos feitos pelo BNDES em grande empreendimento na amazônia como hidrelétricas, que contribuem para o desmatamento. O cacique Werakwaray, do Espirito Santo, informou por volta das 14h que uma comissão de 12 indígenas conseguiu negociar com autoridades do banco.

Os índios, de diversas aldeias do Brasil, já deixaram o local em grupos. Eles seguiram pela faixa da direita da Avenida Rio Branco, em direção ao Aterro do Flamengo, onde ocorre a Cúpula dos Povos. O trânsito não foi interrompido. Eles passaram pela Cinelândia e atravessaram a Avenida Beira Mar. O retorno foi ordeiro. No caminho, em todos os cruzamentos de ruas e avenidas, os manifestantes sacudiam chocalhos e apontavam lanças para os motoristas abrirem caminho para os grupos. Os índios percorreram as ruas do Centro dando gritos de guerra.
 
Quando os índios chegaram ao BNDES, seguranças fizeram um cordão de isolamento na entrada principal do prédio. A porta do edifício da Petrobras, do outro lado da rua, também foi fechada para evitar a entrada dos manifestantes.
 
O representante dos Arariboias, Bentilho Jorge, disse que eles esperavam ser recebidos por algum representante do BNDES.
 
— A gente espera ser recebido pelas lideranças do BNDES, pois precisamos protestar contra o Fundo Amazônia e a PEC 215, que se for aprovada não vai permitir mais que sejam demarcadas nossas terras — afirmou.
 
Em nota, o BNDES informou que os manifestantes se reuniram com o vice-presidente da instituição, João Carlos Ferraz. Durante o encontro, os representantes dos índios questionaram o impacto, em suas comunidades, de projetos financiados pela instituição. Ficou acertada a formação de uma comissão de cinco representantes indígenas, que será recebida para uma nova reunião, provavelmente em julho, também na sede do BNDES. O objetivo é que as lideranças e o banco elaborem uma agenda de trabalho conjunta.
 
Mulheres também fizeram marcha pelo Centro do Rio
 
Pela manhã, uma manifestação de mulheres da Cúpula dos Povos causou um nó no trânsito. Por volta das 11h30m, a pista lateral direita da Avenida Presidente Antônio Carlos foi fechada pela marcha das mulheres no sentido Candelária. Para minimizar os impactos no trânsito, as faixas do sistema BRS foram temporariamente liberadas ao tráfego para todos os veículos. Os reflexos da passeata chegaram às avenidas Presidente Antônio Carlos e Beira Mar, Presidente Vargas, na altura da Rua de Santana, Viaduto do Gasômetro e Elevado da Perimetral.
 
Segundo organizadores do evento, cerca de 5 mil mulheres de 60 organizações participaram da manifestação. Muitas, inclusive, desfilaram com os seios de fora. A Polícia Militar, entretanto, ainda não informou o número de protestantes. Por volta das 12h15m, elas se instalaram no Largo da Carioca, junto com outros movimentos populares. Antes de chegar ao Largo, manifestantes percorreram a Rua da Assembleia e, por isso, a Avenida Rio Branco ficou temporariamente interditada nesse trecho. A manifestação acabou por volta das 13h, na altura da Avenida Almirante Barroso. Segundo informação dos militantes, cerca de dez mil pessoas participaram.
 
De acordo com uma das organizadoras da Marcha das Mulheres e representante da via campesina, Adriana Mesali, o objetivo do movimento não era parar a cidade, mas chamar atenção para a reinvidicação dos movimentos.
 
— A gente não quer perturbar a vida de ninguém, mas em algumas situações é necessário ocupar as ruas para que a cidade perceba a luta dos movimentos sociais. Não adianta ficar concentrado somente no Aterro do Flamengo — disse Adriana, que é uma das principais lideranças femininas no campo.
 
Uma das líderes do movimento, Schuma Schumacher disse que a ideia é chamar a atenção do governo.
 
— Queremos mostrar que um documento baseado no livre mercado não será a solução. Não há solução ambiental sem solução social e enfrentamento da pobreza. É por isso que estamos lutando — falou.
 
A ecóloga Thais Moraes veio de Belo Horizonte especialmente para a Marcha. Aos 23 anos, ela fez barulho tocando um latão pela legalização do aborto:
 
— As mulheres precisam ter o direito de fazer o que quiserem com seu corpo. Por isso que faço barulho.
 
Já a funcionária pública Ana Cristina Serafim, de 44, veio com outras 40 mulheres de Fortaleza em defesa pela liberdade. Para ela, ser livre signifca não ser alvo de violência doméstica e possuir um trabalho digno.
 
— Mulher tem prazo de validade. Depois dos 40, a vida fica mais difícil.
 
As principais reinvidações são a campanha contra a economia verde, contra a proibição do aborto e em favor da liberdade do corpo. Leila Tavares, da Marcha Mundial das Mulheres afirmou:
 
— Estamos aqui para dizer não à economia verde, não à mercantilização dos recursos naturais e do nosso corpo.O grupo deixou o Museu de Arte Moderna (MAM) em direção ao Largo da Carioca pela Avenida Beira-Mar, que apresentou lentidão no tráfego.
 
A Manifestação das Mulheres por Justiça Social Ambiental Contra a Mercantilização da Vida em Defesa dos Bens Comuns tem participação de representantes do Movimento Sem Terra (MST) e feministas. Os manifestantes seguiram para a Avenida Beira Mar até o MAM, onde se juntaram a outro grupo de mulheres. Elas vão fazer o seguinte trajeto: Avenida Presidente Antonio Carlos, Rua da Assembleia, Largo da Carioca.
 
Devido à manifestação, outras vias em direção ao Centro tiveram problemas na manhã desta segunda-feira. A Radial Oeste apresentou lentidão com reflexos na Avenida Marechal Rondon. Já o congestionamento na Avenida Francisco Bicalho e Rodrigues Alves afetou a Ponte Rio-Niterói, que teve lentidão em toda a sua extensão e congestionamento nas saídas para o Elevado da Perimetral e para a Rodoviária Novo Rio. Operadores da CET-Rio e guardas municipais seguem orientando o tráfego.Informações de O Globo