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MPDF denuncia 11 policiais ligados à investigação do caso Villela

Suspeito de ser autor do triplo homicídio fez confissão sob tortura, diz MP. Três pessoas morreram a facadas em 28 de novembro de 2009

Do G1 DF

O casal José Guilherme Vilela e a Maria Carvalho Mendes Villela, assassinados em 2009, em foto de porta-retrato durante missa (Foto: TV Globo/Reprodução)O casal Villela, assassinado em 2009, em foto de porta-retrato durante missa (Foto: TV Globo/Reprodução)

O Ministério Público do Distrito Federal denunciou nesta quarta-feira (17) nove policiais civis, um policial militar e um ex-agente da PCDF, que participaram das investigações do crime conhecido como caso Villela”, ocorrido na 113 sul, em 28 de agosto de 2009.

Eles são denunciados por abuso de autoridade, tortura e supressão de documentos na prisão de Leonardo Campos Alves, suspeito de ser o autor do triplo homicídio, ocorrido em 28 de novembro de 2009.

A prisão do suspeito ocorreu em 15 de novembro de 2010, em Montalvânia, Minas Gerais. O delegado-chefe da 8ª DP na época foi denunciado por abuso de autoridade, tortura e supressão de documentos. Cinco agentes de polícia e um PM foram denunciados por abuso de autoridade e tortura; outros três policiais civis e um ex-agente foram denunciados por tortura.

O G1 procurou as polícias Civil e Militar do DF para comentar o caso. A PCFD informou que a Comissão Permanente de Disciplina (CPD) instaurou um processo administrativo para apurar o caso e que a corporação vai solicitar cópia da denúncia do MP. A Polícia Militar não retornou o contato até a publicação desta reportagem.....

De acordo com a denúncia do MP, a prisão de Alves aconteceu na casa da sogra dele. O suspeito foi colocado no carro da polícia e levado com a cabeça coberta com um pano escuro até a residência, para o cumprimento do mandado de busca e apreensão. Durante a diligência, objetos foram quebrados e um tiro foi disparado no local, segundo a denúncia.

Para o MP, Alves chegou a ser levado para mais dois municípios, para que não pudesse se comunicar com familiares. Em um matagal da cidade mineira de Manga, o suspeito sofreu violência e foi ameaçado e constrangido até que confessasse o triplo homicídio.

Além de sofrer tortura, o suposto autor dos crimes foi informado pelos policiais que a filha dele, que morava no Recanto das Emas, no DF, havia sido sequestrada. Os agentes da Polícia Civil colocaram o suspeito em contato telefônico com a filha, de acordo com denúncia do MP.

Dois dias depois da prisão de Alves, o delegado, dois agentes da PCDF e um sargento da PM voltaram até Montalvânia para colher depoimento do sobrinho de Alves, suposto coautor do triplo homicídio, segundo a polícia. De acordo com o MP, ele afirmou ter participado do crime após ser informado de que Alves feita a confissão.

A confissão O ex-porteiro Leonardo Campos Alves assumiu ter matado o ministro aposentado do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) José Guilherme Villela, a mulher dele e a empregada do casal. Ele disse que cometeu o crime por ter sido "destratado" pelo ex-ministro ao pedir emprego.

Durante as investigações, o suposto criminoso mudou a versão do crime. Em um dos depoimentos ele chegou a afirmar que o homicídio foi encomendado. El outra oportunidade ele negou participação no crime. Ele afirmou que confessou ter participação no crime em outro depoimento porque foi torturado.

A filha do casal, Adriana Villela, chegou a ser apontada pela polícia como tendo “envolvimento direto” com os assassinatos. Adriana sempre negou a versão e disse ser inocente.

O porteiro afirmou que o ex-ministro foi o primeiro a ser morto, logo após chegar ao apartamento. Na época, Alves disse que o crime foi praticado com a ajuda de um sobrinho. A  mulher de Villela chegou ao apartamento depois do marido e, apesar de entregar cerca de R$ 500 e US$ 27 mil, segundo Alves, foi morta por ele e o sobrinho.

Crime Na noite de 28 de agosto de 2009, o ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral José Guilherme Vilela, a mulher dele, Maria Carvalho Mendes Villela, e a empregada do casal, Francisca Nascimento da Silva, foram assassinados com 73 golpes de faca.

Os corpos só foram encontrados três dias depois.  Peritos não encontraram digitais ou outros indícios dos autores do crime.