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OPIINIÃO: Primeiro grande momento de 2014

opiniaoPor Ricardo Callado

A menos de um mês do prazo final para filiações partidárias, a política brasiliense se agita. A criação de novos partidos contribui para a movimentação. É mais fácil deixar uma legenda e ir para uma nova. Não tem o risco de perder o mandato.

Quem nos últimos meses foi para uma legenda recém-criada também pode sair sem preocupação. Quem mais vai perder será o PSD. Com quatro deputados distritais, corre o risco de ficar com um ou nenhum. Eliana Pedrosa está com um pé no PPS. Também tem convite do PSDB. Washington Mesquita vai para o PTB. Liliane Roriz e Celina Leão estudam convites.

Eliana quer ser candidata ao Governo do Distrito Federal e o PSD não está disposto a bancar sua campanha. O PPS deve cair no colo do senador Rodrigo Rollemberg (PSB). Com ou sem Eliana. Seu presidente nacional, deputado federal Roberto Freire, quer ser reeleito à Câmara Federal.

Em 2010, Freire deixou Pernambuco devido a perseguição do PT e foi eleito por São Paulo graças ao apoio de José Serra (PSDB). Com o PT fragilizado em sua terra natal, ele retorna a Recife e tem a garantia de apoio desta vez do governador Eduardo Campos (PSB). O acordo deve levar o PPS ao palanque do PSB em vários estados e no Distrito Federal.

Liliane também quer o Palácio do Buriti. Mas pode compor uma chapa majoritária, como vice. Rollemberg sondou a herdeira do clã rorizista. Hoje, ela pende mais para um chapa de extrema direita. O seu caminho pode ser ao lado do vice-governador Tadeu Filippelli (PMDB).

O rompimento de Filippelli com o governador Agnelo é iminente. Em conversas não tão reservadas, afirma que será candidato ao governo. Liliane seria a vice e o ex-governador José Roberto Arruda poderá ser o candidato ao Senado. Nesse grupo ainda entrariam o apoio do ex-governador Joaquim Roriz, do senador Gim Argello (PTB) e do ex-senador Luiz Estevão (PRTB). Se Arruda não puder, outros nomes estão sendo estudados.

Uma outra chapa de direita, pendendo mais ao centro, seria composta por Eliana Pedrosa, os deputados federais Luiz Pitiman (PMDB, ainda) e Izalci Lucas (PSDB), Alberto Fraga (DEM). Pitiman está de malas prontas para o PSDB.

Eliana precisa que o apoio do PPS ao PSB – caso esse seja mesmo o seu caminho -, não se concretize. Do contrário, ou mudaria de caminho ou tentaria uma vaga na chapa majoritária de Rodrigo, como ao Senado.

Nada impede, ainda, que as duas direitas entre em acordo e fechem aliança. A questão é que quem está de fora apoiando tem mais voto de quem é candidato. O fardo é pesado. E esse é o principal problema encontrado. Se pudessem, Arruda e Roriz seriam os candidatos.

Rodrigo Rollemberg tem a chapa desenhada. O deputado distrital Chico Leite (PT) seria o vice-governador e o deputado federal José Antônio Reguffe (PDT) o candidato ao Senado. Chico teria que mudar de partido.

A Rede sendo criada, esse será o seu destino. A presidenciável Marina Silva está mais perto do que longe de concretizar o seu projeto. Falta muito pouco. Assim como o prazo é escasso. É uma corrida contra o relógio.

Chico ainda tem duas outras opções. A primeira é o Solidariedade, que está sendo formado pelo deputado Paulinho da Força Sindical (PDT-SP). O suplente de deputado federal Augusto Carvalho está fechando com a nova legenda. Outra alternativa para Chico é o PROS, Partido Republicano da Ordem Social.

A Rede também pode ser o destino de Reguffe. O clima no PDT não ainda nada bom depois que o governador Agnelo Queiroz e o presidente nacional da sigla, Carlos Lupi, fecharam acordo. Uma ordem de cima pode colocar o PDT na chapa de Agnelo.

Rodrigo também conta com outras alternativas. O PSOL de Toninho e de Maninha poderia se unir a coligação. O primeiro seria candidato a deputado federal e a ex-deputada voltaria à Câmara Legislativa. Seria uma posição mais à esquerda para Rodrigo.

Seria também uma forma de fortalecer o PSol no DF, que em 2010 teve muito voto, mas não tem nenhum representantes com mandato. E político sem mandato não é ninguém.

Um acordo nacional pode unir no Distrito Federal PSDB e PSB. Seria um viés mais a direita na candidatura de Rodrigo. Entrariam nessa coligação o PPS, o Solidariedade, o PROS e até a Rede. Rodrigo teria três palanques presidenciais: Eduardo Campos, Aécio Neves e Marina Silva. Não parece, mas é viável. A autorização lá de cima já foi dada.

Nesse cenário, Toninho sairia candidato ao Palácio do Buriti. No máximo, fecharia com legendas de extrema esquerda, como PCB, PSTU e PCO. Tiraria voto principalmente de Agnelo e Rodrigo. E poderia embalar a candidatura com as manifestações de ruas.

Agnelo também articula, mesmo que atrasado. Primeiro desafio é achar um vice que agregue. E um candidato a Senado competitivo, que deverá ser o deputado Geraldo Magela. Além de um leque de partidos que lhe dê um bom tempo de TV.

O problema de Agnelo é que ao invés de construir e consolidar a sua candidatura, o grupo político priorizou eliminar adversários. A estratégica deu errado. Os adversários se multiplicaram. E a disputa será acirrada.

A política no Distrito Federal só vai dar uma clareada depois de 5 de outubro. Quem quiser ser candidato terá que estar filiado até esse dia em alguma partido. É o primeiro grande momento das eleições de 2014. Cada um calcula o risco. Uma decisão errada pode comprometer todo o projeto político.