22jul/120

PGR diz que relatório citado por Época não existe

Goiás 247 – A Procuradoria-Geral da República (PGR) não recebeu nenhum relatório sigiloso contendo informações sobre supostas irregularidades praticadas entre o Grupo Delta e o contraventor Carlos Cachoeira e o Governo de Goiás, com participação do governador Marconi Perillo.

Em resposta ao pedido dos advogados do governador para ter acesso ao documento, que embasou reportagem publicada na edição da semana passada da revista Época, a subprocuradora da República, Lindora Araújo, informou não ter recebido o referido relatório. Assim, o documento citado pela revista não faz parte do processo da Operação Monte Carlo, ao contrário do que afirma a reportagem. Em comunicado anterior, a Procuradoria-Geral da República já havia informado que tal relatório não está nem jamais esteve em poder do MPF.
 
O governador Marconi Perillo já encaminhou ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pedido para que seja investigado possível crime de vazamento de informações sigilosas do processo que tramita no Ministério Público Federal. Em nota, o Governo de Goiás disse ontem, a partir das informações obtidas pela subprocuradora, que a reportagem é “um amontoado de fragmentos tirados de mais de 30 mil horas de gravação, tentando estabelecer relações entre conversas de terceiros e pagamentos feitos pela Secretaria de Segurança Pública à Delta Engenharia”.
 
O Governo de Goiás também afirma que a “história contada por Época já não se sustentava diante dos fatos e ações do governo de Goiás em relação aos negócios da Delta no Estado”. Para os advogados de Marconi, a reportagem se torna “ainda mais inconsistente com a informação de que o suposto relatório a que a revista se refere não consta do processo da PGR nem é do conhecimento da subprocuradora”.
 
A representação encaminhada pelo governador a Gurgel observa que “logo que se deu a deflagração da Operação Monte Carlo, passaram a circular rumores de que pessoas do Governo do Estado de Goiás teriam tido contatos com Carlos Augusto de Almeida Ramos e “diálogos passaram a ser seletiva e gradualmente vazados com o fim de constranger o governo do requerente”. Diz ainda a representação que “foram difundidos absurdos rumores” de que o governador “poderia ter envolvimento indevido” com Carlos Cachoeira e que “opositores políticos passaram a questionar a venda de uma casa do requerente, não obstante o governador tenha conduzido o negócio com total transparência”.
 
A representação diz que, apesar dos sucessivos esclarecimentos prestados pelo governador, considerados suficientes pela própria Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira, instalada no Congresso Nacional, o governador “tem sido diuturnamente alvo de matérias jornalísticas que buscam difundir rumores acerca do envolvimento do Governo do Estado de Goiás com o grupo de Carlos Cachoeira”. Diz ainda que “uma vez que nada compromete o requerente e o seu governo, utiliza-se uma estratégia simples e leviana” de “divulgação dos diálogos telefônicos seletiva”.
 
A representação cita, em seguida, a matéria publicada pela revista Época e afirma que, “de tão distorcida, a matéria não chegou a ganhar crédito dos principais veículos de comunicação do País” e que “o documento está sob os cuidados da subprocuradora Lindora de Araújo, uma das investigadoras mais experientes do Ministério Público”, para logo depois observar que, segundo a própria subprocuradora, tal relatório não está sob os cuidados ou a competência dela.
 
Novo ataque
 
Em nova reportagem publicada na edição desta semana, a revista Época volta atacar o governador Marconi Perillo, mais uma vez em reportagem construída a partir de fragmentos da Operação Monte Carlo e citando documentos e gravações sob sigilo que estariam sob o poder da 11ª Vara da Justiça Federal de Goiânia. A revista afirma que “há diálogos em que se diz que Perillo ‘mandou passar’ à Delta um contrato que poderia render R$ 1,2 bilhão”.
 
A revista afirma que “noutros diálogos, cita-se Perillo como responsável por ordenar, por intermédio do ex-senador Demóstenes Torres (ex-DEM), que o diretor do Detran no Estado (Edivaldo Cardoso), indicado por Cachoeira, contratasse uma empresa de um amigo do governador. Época também conclui que “descobre-se, ainda, que um irmão de Perillo, chamado Antônio Pires Perillo, ou Toninho, tinha um celular Nextel habilitado nos Estados Unidos para conversar com Cachoeira – e que Toninho prestou serviços a ele”.
 
O Governo de Goiás afirmou à revista que “jamais disse a quem quer que seja” para passar as construções do VLT de Goiânia para a Delta. “Esta afirmação é infame e irresponsável. Como é que o governador poderia pedir a alguém para ‘passar uma
 
obra’ que não existia nem no papel nem se sabia ainda se seria executada?”, afirma nota encaminhada pelo Governo de Goiás à revista, que publica os esclarecimentos em poucas linhas, ao final da reportagem. O Governo de Goiás esclarece ainda o que toda a população de Goiás sabe: que “o projeto do VLT ainda está em fase de elaboração” e que, portanto, não havia qualquer possibilidade de direcionamento de contratos.
 
Sobre as citações de atendimentos a pedidos de reuniões e informações feitas por empresários, o Governo de Goiás informou que “todos os empresários que procuram o governador são por ele encaminhados aos órgãos competentes para que se inteirem dos projetos e assuntos relacionados ao governo”. “As informações são prestadas pelos responsáveis por cada área do governo sempre obedecendo aos princípios de ética, lisura e transparência”, afirma a nota do Governo de Goiás que Época praticamente ignorou.
 
“Não cabe alimentar ilações retiradas fragmentadamente de mais de 30 mil horas de gravações, com o único intuito de criar polêmicas e estabelecer relações entre fatos que não se coadunam”, diz ainda a nota. “Entre todas as gravações divulgadas, não existe nenhuma comprobatória de negócio ou contrato que efetivamente tenha beneficiado alguma pessoa ou empresa”, esclarece, por fim, o Governo de Goiás.