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Politica: Falta de alternativas conspiram a favor de Dilma

Dilma-após-votar

O Datafolha informa que a aprovação de Dilma Rousseff oscilou para cima. Em junho, quando a besta do inconformismo saiu às ruas, a popularidade da presidente despencara de 65% para 30%. Agora, a taxa foi a 36%. Deve-se a recuperação a dois fatores: uma leve alteração de humor em relação à economia e, sobretudo, a ausência de contraponto. 

O uivo da besta teve o efeito de um recomeço do espetáculo. Foi como se os atores recebessem uma folha de papel em branco. Cada um podia fazer o que quisesse com ela. Escrever um novo enredo, por exemplo. Dilma esboçou cinco pactos. Produziram mais manchetes do que resultados. Porém, a oposição ainda não decidiu o que fazer com sua folha. 

Os rivais de Dilma se dividem em dois grupos. A turma que torce por Aécio Neves rabisca frases raivosas na folha. O diabo é que o público procura antídotos, não veneno. Os partidários de Eduardo Campos, ante a inação do protagonista, estão na bica dobrar o papel, fazer um aviãozinho e jogar pela janela. O pessoal de Marina Silva ainda nem subiu ao palco. Tem um partido por fazer. 

Beneficiada pela visibilidade que o cargo lhe proporciona, Dilma martela duas causas de enorme apelo popular: mais médicos e participação do povo na reforma política. Sabe que médico sem estrutura é como comandante de navio sem mar. Também sabe que o TSE enterrou o plebiscito a toque de caixa. Mas mantém o lero-lero. Ocupa o noticiário e deixa mal a corporação médica e o Congresso. 

Na economia, continua sobrando mês no fim do dinheiro do trabalhador. Mas a inflação soluçou menos em julho. Em parte porque o Banco Central entrou em campo. Em boa medida porque a revolta besta adiou os reajustes das tarifas de ônibus, trens e metrôs. Até quando? 

Em junho, 54% dos brasileiros achavam que a inflação subiria. Hoje, a taxa é praticamente a mesma: 53%. A boa notícia é que o pessimismo com a carestia, que que subia desde dezembro de 2012, estacionou. Elevou-se de 44% para 48% a quantidade de eleitores que acreditam na perspectiva de melhoria da situação econômica. 

Para recuperar a aprovação de 65% que tinha em março, Dilma terá suar o terninho. Mas as pessoas olham ao redor e perguntam aos seus botões: qual é a alternativa? 

 fonte: blogdojosias