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População prestigia Festa do Morango de Brazlândia

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Nem mesmo o sol forte afugentou os visitantes da 18ª Festa do Morango, famílias inteiras aproveitaram o dia para conhecer a tradicional festa, almoçar e provar alguns dos quitutes oferecidos – sorvetes, tortas, bombons, sucos, licores, geleias – só para citar alguns.

“É a primeira vez que a gente vem ao evento. Ouvimos as pessoas falarem que é típico da região e a gente veio conhecer. Achei maravilhoso, bem organizado e as receitas de morango são bem atrativas”, disse hoje Sócrates Pereira Costa à Agência Brasília, enquanto sua companheira, Líria Daniela, saboreava um sorvete.

O casal Alene e Nelson Namba, que mora em Taguatinga, há quatro anos acompanha a festa – ao lado dos dois filhos e do sobrinho, disseram que essa edição está muito mais movimentada e que se surpreenderam com a quantidade de pessoas circulando.

“A festa está muito cheia e a estrutura tá maior. Parece que tem melhorado ao longo dos anos. A gente veio para almoçar e vai comprar uns morangos antes de voltar para casa”, disse Alene....

A filha, Helena, emendou: “Eu comi e comprei coisinhas”, ao que a mãe emendou que a menina adora a feira e as pulseiras que são vendidas no local.

A expectativa é de que o movimento nesta edição seja superior ao do ano passado, quando o público chegou a 200 mil pessoas.

“Acreditamos que vai chegar a 250 mil visitantes nesses seis dias. Hoje, por volta das 13h tinha fila para o estacionamento”, disse a economista doméstica da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF), Sônia Alves Lemos.

“O público está surpreendente, muita boa a divulgação da festa e muitos atrativos, além dos morangos, das receitas com morangos, muitas comidas da região”, afirmou o secretário de Agricultura, Lúcio Valadão.

O titular da pasta acredita que todo movimento terá um impacto econômico para a área rural: “Eu não tenho números, mas tenho certeza que deve ter um impacto bom para o pessoal que trabalha na festa, além dos produtores”.

A visitante Miriam Braga, que mora em Brasília, disse que a festa estava muito agradável, mas que não gostou do preço do morango – ainda assim, deixou o evento com nove caixas, com quatro badejas em cada uma delas.

“Para conseguir comprar por cinco reais, preciso levar três caixas. Quando unitário, o preço vai de R$ 6 a R$ 8. Vamos levar morango para fazer sobremesas para a família toda, que é bem grande, somos 15 pessoas”, declarou.

PRODUÇÃO

A festa começou para fomentar a venda de morangos da região e hoje ajuda a divulgar toda a produção local, que inclui diversas hortaliças, leguminosas e tubérculos.

“Brazlândia é um polo produtor, 34% do que é produzido no DF sai da cidade”, disse o gerente local da Emater, Rodrigo Teixeira Alves.

Ele explicou que a região tem 150 hectares de morango que produzem 5.250 toneladas e representam cerca de R$ 21 milhões para a economia da região, “mas tem todas as hortaliças, que são sempre produzidas, durante o ano todo”.

Entre os produtores que aproveitam a festa para comercializar a fruta in natura e pasteurizada, está a família de Kayomi Saiki Harada, que durante os seis dias do evento comercializa entre 1,5 e 2 toneladas de polpa.

Filha de produtores de morango de Atibaia (SP), ela e o marido abriram uma pequena indústria em Brazlândia: “A festa motiva a gente a estar na roça porque a gente sabe que vai trazer renda”.

Segundo ela, o trabalho é constante e, mal termina a festa a família começa a se preparar para a edição do ano seguinte – além disso, com a profissionalização da produção, conseguiram aumentar o lucro, ao comercializar diretamente com lanchonetes e restaurantes.

EMATER-DF

A empresa tem um estande na festa onde os produtores expõem produtos diversos, como alimentos processados (doces, conservas, temperos), in natura, produtos de panificação, mel e muito artesanato.

“A gente ensina a agregar valor ao produto. A fruta fresca não tem um valor muito alto, mas quando se faz o licor, por exemplo, agregou valor ao produto”, disse a economista Sônia Alves Lemos.

A coordenadora de agroindústria rural, Sônia Cascelli explicou que a empresa ensina técnicas de produção e processamento de alimentos, assessora a organização e incentiva a profissionalização.

“Na área de alimentos, por exemplo, há curso de processamento, como fazer queijo, geleia, pães de produtos típicos da agricultura familiar, que é abóbora, mandioca, cará, beterraba, cenoura, como fazer defumados etc”, relatou.

Além disso, há a orientação quanto a importância de atender as recomendações dos órgãos de vigilância para manter a qualidade.

“Todos os produtos comercializados expõem um selo de inspeção da Secretaria de Agricultura, que garante melhor qualidade higiênico-sanitária”, disse.

A agricultora Kayomi Saiki Harada confirma que a fiscalização é constante e que os produtos com o selo seguem as determinações de ser 100% natural e sem água: “Estamos quase 20 anos produzindo e sempre precisamos nos adaptar”, arrematou.

   Valéria Rodrigues, da Agência Brasília