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Populares tentam linchar mulher que roubou dois bebês de hospital de Brazlândia

Populares tentaram linchar a agente comunitária Luciete M. dos Santos, de 28 anos, presa em flagrante na tarde desta quinta-feira (20) tentando roubar duas crianças da maternidade do Hospital Regional de Brazlândia, região administrativa do DF. Ela tentou sair do hospital com as crianças dentro de uma sacola. Os seguranças chegaram a observar as atitudes da mulher, que ficou algumas horas dentro da unidade.

 Ao tentar sair com uma sacola grande nas mãos, uma paciente teria gritado alertando o crime. Neste momento, Luciete entrou no carro para fugir, mas foi detida pelo sargento Alves, que atua no hospital. Logo em seguida, a PMDF (Polícia Militar do DF) foi acionada, as sacolas abertas e os bebês encontrados.

O tenente Hildon, do 16º BPM (Batalhão da Polícia Militar), explica que foi preciso levar a mulher para uma área isolada dentro do hospital para evitar que ela fosse linchada pela população e pacientes, que ficaram comovidos com a situação.

— Tinha muita gente com raiva. Alguns estavam armados com pedaços de pau e pedra. Quando chegamos, ela estava cercada por várias pessoas e precisamos interferir para garantir a integridade física dela, uma vez que a comunidade queria tomar atitudes mais drásticas.

Hildon relatou que um dos motivos que levou a essa revolta, foi o fato de a mulher ter tentado fugir do hospital com as crianças em situação precária...

— Os bebês estavam dentro de uma sacola, sem cuidado algum. Ela colocou em risco a vida das crianças e por pouco não levou uma surra das pessoas que presenciaram a cena.

Luciete passou a noite na 18ª DP (Brazlândia), onde a ocorrência está registrada. O delegado-adjunto, Pedro Luiz de Moraes, disse que ela chora sem parar.

— Passou a noite chorando, continua presa e está desolada. A família também está bastante abalada com tudo isso.

A agente comunitária, que trabalhava na Secretaria de Saúde do DF e tinha livre acesso aos Hospitais de Ceilândia e Brazlândia, regiões administrativas do DF, será levada ao presídio feminino da Colméia no Gama, região administrativa do DF, até o fim da manhã desta sexta.
Moraes informou que o marido está perplexo com a situação porque foi enganado por ela durante quase um ano.

— Por pelo menos nove meses ela planejou tudo isso. Disse ao marido que estava grávida de gêmeos, de sexos diferentes, engordou de propósito, apresentou o exame de outras pessoas e chegou a ficar grávida psicologicamente. A reação dele, ao saber do caso, foi terrível. Ele realmente ficou chocado.

Em depoimento, o marido de Eliete contou à polícia que não esperava que isso fosse acontecer e que estava esperando muito pelos filhos.

— Ela disse ao marido que daria à luz por esses dias. Animado com a chegada das crianças, ele comprou os enxovais, que inclusive foram encontrados no carro dela no momento da abordagem, berços e demais aparatos para receber os "filhos" em casa.

Para o delegado, Elite decidiu agir no Hospital de Brazlândia por ser um local com menos movimento de pessoas, se comparado ao de Ceilândia.
— Ela tinha somente essas duas opções em razão do cargo que ela ocupa.

Além disso, Morais afirma que ela escolheu a dedo as vítimas não pelas características, mas pela fragilidade e vulnerabilidade que apresentavam no momento.

— Uma delas teve complicações pós-parto, em estado grave, medicada e inconsciente. A outra estava dormindo e todas as demais faziam vigília, estavam bem espertas. Informações do R7.