27jun/120

Radialista acusa Perillo de fazer caixa dois e de mentir à CPI

O Globo

O radialista e jornalista Luiz Carlos Bordoni, único dos depoentes desta quarta-feira que se propôs a falar na CPI do Cachoeira, acusou o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), de ter mentido quando prestou depoimento na comissão. Bordoni afirmou que o governador utilizou dinheiro de caixa dois para pagar por seu trabalho na campanha de 2010. Munido de documentos, contestou a versão de Marconi de que teria sido pago por meio de uma nota fiscal de uma empresa de comunicação no valor de R$ 33.300. Ele disse que o acerto verbal para a campanha foi de R$ 120 mil, mais R$ 50 mil em caso de vitória e confirmou que recebeu, na conta de sua filha, dois pagamentos, que totalizaram R$ 90 mil, de duas empresas ligadas ao esquema de Carlinhos Cachoeira.
 
Um fato inusitado fez subir ainda mais a temperatura na CPI do Cachoeira. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que tentava mostrar que o jornalista não devia ser levado a sério, disse que, numa entrevista, ele afirmou que havia sido abduzido por um disco voador. Antes que o senador completasse a fala, Bordoni respondeu:
 
- Fui abduzido, inclusive encontrei com todas as pessoas que passaram informações para o senhor....

Assessores e parlamentares que assistiam ao depoimento caíram na gargalhada, para constrangimento do senador. Tentando retomar a seriedade, Álvaro Dias afirmou que a informação estava em um blog de Goiás. Mas Bordoni não capitulou e disse que o autor da informação era afilhado do governador Marconi Perillo.
 
- Repudio esta tentativa de fazer graça na CPI - protestou Álvaro Dias.
 
- Devo acreditar tanto no fato de ele ter sido abduzido por um extraterrestre quanto nas afirmações de que ele fez - declarou o senador, que depois disse que a afirmação sobre a abdução teria ocorrido durante uma entrevista ao programa Espaço Espírita, na TV Cultura de Goiás, e citou o nome da jornalista que teria entrevistado Bordoni. Mas o jornalista voltou a negar.
 
- Nunca fui entrevistado por essa mulher.
 
Mais tarde, depois do protesto de alguns parlamentares, que criticaram a atitude do depoente e até mesmo de senadores e deputados que estariam se excedendo, Álvaro Dias e Bordoni pediram desculpas.
 
Bordoni também tirou do sério o já explosivo deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) e a bancada do PSDB quando disse que alguns parlamentares não estão interessados em apurar as denúncias. Sampaio, depois de mais de 30 minutos de apresentação, declarou que o depoente estava fazendo ilações sobre o governo do aliado.
 
O presidente da CPI, Vital do Rego (PMDB-PB), deixou o radialista falar e, virando-se para Sampaio, disse que a verdade doí.
 
- Não admito que fale de mim. Não concebo que V. Excia fale sobre mim - disse, aos gritos, acorrido por outros tucanos, como o senador Mario do Couto (PSDB-PA), conhecido por falar aos berros e acusar todo mundo de corrupto e nem é membro da CPI mas disse, desde o início, que ficaria até o final para falar.
 
Bordoni começou seu depoimento dizendo que ao homem público não basta ser honesto, mas deve parecer honesto. Ele lembrou que atua nas campanhas políticas de Marconi desde 1998, quando este se candidatou pela primeira vez ao governo de Goiás, e lembrou que foi processado e condenado por defender o governador.
 
O radialista também refutou as afirmações da namorada de Cachoeira, Andressa, de que estaria tentando extorqui-lo e, por isso, teria recebido os R$ 45 mil da Alberto & Pantoja.
 
- Quem sou eu para achacar o rei do achaque? E, como Cachoeira gosta de filmar todo mundo, não teria, então, alguma filmagem comigo?
 
Outras duas testemunhas não prestaram depoimento
 
Outras duas testemunhas estavam marcadas para depor hoje. Jayme Eduardo Rincón, presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop) e ex-tesoureiro da campanha Perillo, pediu que seu depoimento fosse adiado. Ele alegou problemas de saúde como já havia feito na primeira convocação, no dia 29 de maio. A deputada Iris Araújo (PMDB-GO) criticou a resistência do ex-tesoureiro e afirmou que ele teria condições de comparecer à reunião.
 
- Gostaria de dizer que ele está trabalhando normalmente lá no estado de Goiás – protestou.
 
Eliane Gonçalves Pinheiro, ex-chefe de gabinete do governador de Goiás, suspeita de repassar informações sobre operações policiais à quadrilha de Cachoeira, ficou calada. Ela obteve habeas corpus do Supremo Tribunal Federal (STF) que garante o direito dela de não falar.
 
No inicio da sessão os parlamentares discutiram sobre ameaças que juristas envolvidos no processo de Cachoeira vêm sofrendo. Segundo o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), as ameaças começaram quando das primeiras concessões de habeas corpus para integrantes da quadrilha.
 
Na terça-feira, a CPI ouviu o arquiteto Alexandre Milhomen, que disse que a mulher de Cachoeira deve ter gastado em torno de R$ 500 mil na decoração da casa vendida pelo governador e onde o contraventor foi preso em fevereiro.Informações de O Globo.