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Rainha desafia Patrício a abrir ‘caixa-preta’

Metro DF

“Se o presidente da Câmara Legislativa sabe da existência de uma ‘caixa-preta’ em um órgão  público e não denuncia apontando os culpados, torna-se coautor da irregularidade.” Assim reagiu o conselheiro do Tribunal de Contas do DF Renato Alves Rainha às declarações do  deputado distrital Patrício (PT), presidente da Câmara Legislativa, ditas ao final da sabatina que confirmou a indicação do deputado federal Paulo Tadeu (PT) ao TCDF.

Patrício escancarou o que outros integrantes da base e do próprio GDF repetem em conversas reservadas: o Tribunal de Contas tem sido um entrave político ao dificultar a realização de  obras e investimentos considerados prioritários, como mostrou reportagem de ontem do Metro. “Você vai para lá abrir a caixa-preta do Tribunal de Contas. Nós sabemos o que o GDF tem enfrentado”, afirmou Patrício, na última quarta-feira.

Rainha repudiou a declaração e a reportagem, sustentando que os votos e decisões do TCDF são tomados ‘com base exclusivamente em critérios técnicos’. “Aqui não há posição política em relação ao governo. Todas as sanções e suspensões de licitações ocorreram por irregularidades gravíssimas”, disse Rainha. “E a nossa postura foi a mesma com todos os governo anteriores. As reclamações se repetem.”

O conselheiro afirmou ainda que, ao contrário do que foi publicado ontem pelo Metro, ele não foi indicado ao cargo de conselheiro pelo ex-governador Joaquim Roriz, mas ingressou na corte por indicação da Câmara Legislativa, onde exercia mandato de deputado. Em parte, é verdade. Rainha foi indicado pela Câmara - a pedido de Roriz. Rainha citou, como exemplo de processo problemático, a licitação da frota de ônibus do DF, que foi reprovada seguidas vezes nos julgamentos no Tribunal de Contas. “Havia enormes falhas no edital. Na minha opinião, a Corte acabou liberando a concorrência ainda com problemas, mas é inegável que houve avanços.”

 Sobre a saúde pública, Rainha afirmou que o trabalho de fiscalização ajuda o governo a melhorar. “Sou relator do processo do Samu, uma situação de abandono que foi recuperada graças ao esforço do TDCF.”