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Rollemberg reabre diálogo e começar agir com perfil político

Correio Braziliense

Após recorrentes reclamações de partidos aliados por não participarem das principais decisões do Palácio do Buriti, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) decidiu formar um conselho político com as siglas que o apoiaram desde o primeiro turno da eleição passada. Ontem, o grupo formado por PSB, PSD, PDT e SD se encontrou pela primeira vez. Ficou decidido que a reunião se repetirá semanalmente, sempre às segundas-feiras pela manhã, para fazer avaliações do cenário político e estabelecer prioridades na gestão. Criticado por não escutar os aliados, Rollemberg procura cessar o fogo amigo dentro do governo e unir os atores políticos que fazem parte do GDF. Em tempo de crise financeira e de instabilidade da base na Câmara Legislativa, é importante para o socialista fidelizar o apoiadores. A tendência é que o conselho seja ampliado e outras legendas passem a integrá-lo.

Todas as siglas estiveram presentes. As duas figuras públicas de maior peso eleitoral, no entanto, não compareceram. Os senadores pedetistas José Antônio Reguffe e Critovam Buarque, depois de reclamarem da falta de diálogo com o GDF, não foram ao encontro. O secretário de Relações Institucionais e Sociais e presidente do PSB, Marcos Dantas, explicou que ficou a cargo do presidente de cada partido decidir quem ia à reunião. Georges Michel, do PDT, afirmou que os senadores não foram por conflito de agenda, porque estavam “desempenhando tarefas no Congresso”. Reguffe, por sua vez, disse que ninguém o chamou para a reunião. “Não fui convidado e não foi nenhuma descortesia comigo. Acho que a reunião do conselho é apenas com os presidentes de partidos”, argumentou.

Na reunião, Rollemberg reconheceu que se distanciou da articulação política nos primeiros meses de governo e creditou a falta de diálogo ao tempo perdido para controlar a crise financeira. O PSD esteve presente em peso e entregou uma carta ao socialista. Nela, reiterou o apoio ao GDF, fez inúmeras sugestões e uma crítica. “Nestes primeiros seis meses de gestão, acreditamos que esses problemas vivenciados e encontrados pelo governo afastaram o nosso partido do núcleo consultivo/decisório do Buriti”, afirma o documento.

Além do presidente da sigla e deputado federal Rogério Rosso, o vice-governador Renato Santana, o secretário de Economia e Desenvolvimento Sustentável, Arthur Bernardes, e o senador Hélio José participaram da reunião. Para Rosso, a formação de um núcleo político ampliado é positiva. “Não adianta fazer sugestões a quem não quer ouvir. E hoje o governador mostrou claramente que quer ouvir, discutir e formular em conjunto com os aliados”, ressaltou.

A trabalhista Celina Leão, presidente da Câmara Legislativa, que rompeu com o governo duas semanas atrás, também faltou ao encontro. Os distritais Joe Valle e Reginaldo Veras e o presidente da legenda e secretário do Trabalho, Georges Michel, compareceram. “O governador reconheceu alguns erros cometidos, como não ter ouvido dois partidos fundamentais no processo eleitoral, o PDT e o PSD. Agora, vamos fazer reuniões periódicas. A gente não quer cargo, a gente quer ser ouvido nas decisões importantes que o governo for tomar”, resumiu Veras. O Solidariedade não levou nenhum representante. O deputado federal e presidente da legenda, Augusto Carvalho, não foi porque estava viajando, de acordo com Marcos Dantas.

O secretário de Relações Institucionais classificou a reunião como “muito proveitosa”. “Num primeiro momento, estávamos submergidos na crise. Agora, é momento de inaugurar um novo tempo”, disse.