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Serpes sugere que Paulo Garcia pode ganhar no 1º turno

 Do Jornal Opção

“O Popular” publicou na terça-feira, 17, pesquisa de intenção de voto para a Prefeitura de Goiânia. A reportagem, assinada por Fabiana Pulcineli, não contém erros. Tecnicamente, é precisa. Só falta ousadia na interpretação dos dados. Noutras palavras, o jornal não arrisca, não examina detidamente as informações, não as “estica”, por assim dizer. A seguir, com a mesma pesquisa e números, vamos tornar o levantamento mais “elástico”.

1 — Um cálculo básico mostra que, somados, todos os candidatos têm 29,4%. Leia de novo: todos. O prefeito Paulo Garcia (foto), sozinho, tem 34,1%. A diferença, pró-petista, é de 4,7%.

2 — A possibilidade de Paulo Garcia liquidar a fatura no primeiro turno não é pequena. Com 34,1% das intenções de votos, o petista precisa de mais 15,9% para chegar a 50%. E nem se está falando de votos válidos. A rigor, a frente do candidato do PT é maior.

3 — Depois de escândalos muito divulgados, o eleitor se mostra mais pessimista, mas, aos poucos, vai observando os candidatos, vai comparando a história de cada, sobretudo se fez alguma coisa para a cidade, e vai se definindo. É isto que explica a redução dos que dizem que vão votar nulo — de 22,6% (junho) para 20,8% (julho). Em maio, o índice chegou a 25,2%. O eleitor é realista e, por isso, sabe que, se não optar pelo melhor, pode eleger o pior.

4 — A pesquisa espontânea mostra que o eleitor prefere mesmo Paulo Garcia, que aparece com 11,6%. O segundo colocado, Jovair Arantes, tem 1,7%. Todos os opositores, somados, não dão metade da intenção de voto do petista.

5 — Jovair Arantes (PTB) é o campeão em rejeição — com índice de 23,6%. Isaura Lemos (PC do B) é rejeitada por 20,6% dos 601 entrevistados. Elias Júnior (PMN), terceiro em rejeição, tem 18,5%. Embora seja o prefeito, com desgaste natural, Paulo Garcia aparece em quarto lugar, com 17,8% — um índice baixo para o candidato líder nas pesquisas. Rejeição baixa, sobretudo para quem está administrando, significa que o prefeito petista tem potencial de crescimento.

6 — Um detalhe, este apontado por “O Popular”, é que Paulo cresceu, entre duas pesquisas, 7,8% — de 23,3% (junho) para 34,1% (julho). Os dados indicam que o candidato a reeleição está crescendo rápida e consistentemente. Observe-se que seu índice de crescimento de uma pesquisa para outra, 7,8%, é maior do que o índice de Jovair Arantes em julho — 7,7%. A diferença entre Paulo e Jovair é de 26,7% — um dado difícil de ser superado, principalmente porque o petista está crescendo.

7 — Na reta final, há uma tendência pelo voto útil. É provável que parte dos votos de Isaura Lemos migre para Paulo Garcia.

8 — A pesquisa meramente quantitativa não é a mais indicada para apurar determinadas questões. Tanto que o Serpes não investigou as informações de modo mais profundo, com mais questionamentos ao eleitor. Por exemplo: por que Paulo Garcia está crescendo? Por que a oposição está estagnada? Arrisquemos algumas respostas, preliminares. O petista faz uma administração equilibrada, inaugurando obras de utilidade pública, como a Maternidade Dona Iris/Hospital da Mulher, o Jardim Zoológico e o Parque Mutirama, além de interferir na cidade para melhorar o trânsito e criar alternativas para pedestres e ciclistas. A sociedade está acompanhando e percebe que o prefeito mantém a cidade bem cuidada e sem problemas com probidade. Na campanha, com o “fator Iris Rezende”, sobretudo na periferia, Paulo Garcia tende a crescer ainda mais. O petista é visto pela população como o político indicado por Iris e que, no poder, deu continuidade à gestão eficiente do peemedebista.

Por que a oposição estagnou-se? Difícil apresentar explicações precisas. Mas possivelmente o escândalo Cachoeira, que atingiu a base do governador Marconi Perillo, esteja abalando os políticos tradicionais. Paulo Garcia, pelo contrário, não é visto como político tradicional. Pelo contrário, embora seja candidato à reeleição, é percebido como o “novo”. É a “renovação dentro da ordem”. Além disso, a população não aprova trocar prefeito que está indo bem.

Ressalve-se, claro, que a campanha está apenas começando e que a tendência é uma polarização entre Paulo Garcia e Jovair Arantes.