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Servidor do DF é filmado vendendo lugar na fila da habitação

Gravação foi feita pela reportagem do DFTV; lugar custa R$ 15 mil. Funcionário é chefe de gabinete da administração do Riacho Fundo 2

Do G1 DF

O chefe de gabinete da administração do Riacho Fundo 2, Francisco Pereira, foi filmado tentando vender um lugar na fila da habitação do Distrito Federal. A gravação, feita pela reportagem do DFTV, mostra o servidor fazendo a negociação por R$ 15 mil.

Para comprar um imóvel pelo programa habitacional do governo do DF é preciso fazer inscrição na Secretaria de Habitação (Sedhab). A liberação da casa ou apartamento leva em consideração o lugar na fila e critérios sociais. Atualmente, a fila de espera para comprar um imóvel no programa habitacional do DF é de 376 mil pessoas, segundo a secretaria.

Na gravação, o chefe de gabinete da administração do Riacho Fundo 2 oferece a substituição do nome de uma pessoa inscrita no programa pelo de outra, mediante o pagamento.

Com uma câmera escondida, a reportagem da TV Globo procurou o servidor dizendo que queria comprar um imóvel sem entrar na fila da casa própria. Nas imagens, Pereira diz que consegue um apartamento da Sedhab. Segundo ele, o dinheiro pedido iria para o morador que abriu mão da compra.
“Agora, em agosto talvez, a Sedhab vai reabrir. E eu estando com seus dados aqui, já entro em contato com você. Aí eu já procuro abrir a vaga pra você aqui, que com certeza vai ter muita desistência”, diz Pereira.

A reportagem procurou Pereira na administração do Riacho fundo 2 e foi informada que o servidor não foi trabalhar nesta quarta-feira (31). Segundo a administradora da região, Geralda Godinho, a conduta do chefe de gabinete foi ilegal. Ela disse que Pereira será afastado e investigado.

Segundo o presidente da Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal (Codhab), Luciano Queiroga, contratos antigos permitem que 206 cooperativas do Riacho fundo 2 indiquem moradores para a compra. Com a denúncia, não serão mais aceitas listas de candidatos das cooperativas. Todos os contratos feitos até agora vão passar por reavaliação, segundo ele.

“O que nós vamos fazer é olhar o universo de pessoas que não foram ainda contempladas e fazer uma nova verificação dessa lista de pessoas antes da gente começar a atender exclusivamente através do nosso cadastro de habitação”, afirmou Queiroga.