10set/130

STJD anulará jogo do massagista

Integrante da comissão técnica do Aparecidense (GO), Esquerdinha entrou em campo e impediu gol que valia a classificação para o Tupi (MG). Jogo terá de ser disputado outra vez, e ele diz que não se arrepende 

 A cena é cômica, embora trágica, e virou a maior sensação do futebol brasileiro na internet nos últimos dias. A ação inusitada, e antidesportiva, do massagista Esquerdinha, da Aparecidense (GO), contra o Tupi (MG), na noite do último sábado, em Juiz de Fora, fará com que o jogo seja anulado, e com que a vaga nas quartas de final da Série D do Brasileiro seja decidida em uma outra partida, como deixou claro ontem o presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Flávio Zveiter.

As duas equipes empatavam em 2 a 2 no jogo de volta das oitavas de final, resultado que classificava o Aparecidense pelo critério de gols fora de casa (na partida de ida, houve empate em 1 a 1). Aos 44 do segundo tempo, o atacante Ademílson, do Tupi, chutou para marcar o gol que daria a classificação para seu time. Quando a bola ia entrar, o massagista Esquerdinha, que estava ao lado da trave, entrou em campo e impediu, duas vezes, que a bola cruzasse a linha. 

Em seguida, Esquerdinha mostrou muita velocidade para escapar do linchamento e conseguir se refugiar no vestiário (assista à cena em oglobo.com.br/esportes).....

 Embora o senso comum e a revolta com a ação externa que interferiu no resultado da partida possam indicar que o Tupi deveria ficar com a vaga, não é isso que acontecerá. A legislação esportiva brasileira prevê, em casos como este, a anulação da partida como punição máxima. E é isto que ocorrerá, já que as imagens são incontestáveis, e deixam clara a interferência externa. O procurador-geral do tribunal, Paulo Schmitt, apresentará até hoje uma denúncia, pedindo a anulação do jogo. E o julgamento acontecerá no máximo até a próxima semana. 

- Falando em tese, houve uma infração à ética desportiva, e essa infração culminou com o resultado que todos nós vimos, lamentável, de um massagista influenciando em um lance de gol. A pena prevista para esse artigo é a de anulação da partida - explicou, em entrevista ao SporTV, o presidente do STJD, Flávio Zveiter. 

Irmão do ex-meia que se destacou pelo São Caetano no início da década passada, e de quem herdou o apelido, o massagista Esquerdinha ainda declarou que não se arrepende do ato, que entra para a coletânea de histórias bizarras do futebol brasileiro. De volta a Aparecida (GO), em entrevistas à Rádio 730 e à TV Anhanguera, ele relembrou o caso, contou detalhes da fuga dramática e até chegou a pedir desculpas, mas justificou sua atitude. 

- Era nossa única chance. Se eu não fizesse isso, o Aparecidense seria eliminado. Eu estava atrás do gol e, quando vi que a bola iria entrar, tirei em cima da linha, de chapa. Era tudo ou nada. Não me arrependo porque peguei amor pelo clube. A gente se apega, nosso grupo é muito unido. Não queria que o Aparecidense fosse eliminado. Já pedi desculpas, foi um ato impensado, uma coisa de momento. - disse Esquerdinha à Rádio 730, lembrando que foi salvo pelo motorista do ônibus que levava o time da Aparecidense. - Ele trancou o vestiário, e me escondi dentro de um baú. Todo mundo queria me bater, inclusive o maqueiro. Demoramos algumas horas para sair do estádio. A polícia fez escolta até o hotel e saímos de lá às 6h. Tive que pôr um boné, mudar a camisa, saí disfarçado. A torcida falava que ia me matar. 

 

Fonte: O Globo